Em Roraima ex-prefeito é preso: fraude em licitações

Preso, Roberto Sobrinho divide cela comum com ex-vereador, em RO

Ex-prefeito foi preso na manhã desta terça-feira, na residência.
Mais de 20 pessoas são investigadas por fraude em licitações em Porto Velho.

Roberto Sobrinho, ex-prefeito de Porto Velho, deixa
residência, após ser preso pela Polícia Civil
(Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho e o ex-vereador Mario Sérgio, presos no início da manhã desta terça-feira (9) durante a Operação Luminus, foram levados à Penitenciária de Médio Porte (Pandinha) e, durante os próximos 10 dias poderão receber apenas a visita de advogados, de acordo com a Secretaria de Estado e Justiça (Sejus). Cinco mandados de prisão preventiva estão sendo cumpridos, além de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e afastamento de funções públicas.

A Operação Nacional contra a Corrupção foi deflagrada pelo Ministério Público, em parceria com diversos órgãos, e deve cumprir mandados de prisão, de busca e apreensão, de bloqueio de bens e de afastamento das funções públicas em pelo menos 12 estados. O desvio de verbas públicas sob investigação ultrapassa R$ 1,1 bilhão. Leia mais.

A Sejus informou que Roberto Sobrinho e Mário Sérgio estão dividindo uma cela no pavilhão D da penitenciária. Após os 10 dias, ambos podem ser transferidos de cela, de acordo com determinação da Justiça, e poderão passar a receber a visita da família normalmente.

A polícia confirmou ainda a prisão de um policial militar, Edson Penha Ribeiro Filho, e do empresário Silvio Barroso, também encaminhados ao Pandinha e investigados no esquema fraudulento que desviava verbas da prefeitura e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdur).

Entenda o caso
Segundo investigações da polícia, em conjunto com equipes do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público de Rondônia, entre 2005 e 2012 a Prefeitura de Porto Velho desviou dezenas de milhões através de uma organização criminosa que se instalou no órgão, chefiada pelo então prefeito Roberto Sobrinho (PT).

Um dos braços da organização era liderado por Sobrinho e o ex-vereador Mário Sérgio que, na época, ocupava o cargo de presidente da Emdur. O esquema desviava verbas da prefeitura em licitações fraudadas para empresas fantasmas criadas em nome de laranjas.  Os contratos eram superfaturados e em muitos casos os serviços eram pagos sem terem sido executados.

Em dezembro do ano passado, o procurador-geral de Justiça de Rondônia, Héverton Aguiar, afirmou durante a deflagração da Operação Endemia, que a organização criminosa havia movimentado mais de R$ 100 milhões em contratos públicos com a efetiva participação do prefeito Roberto Sobrinho, onde empresas eram favorecidas em processos licitatórios, contratos, e execução das obras públicas.

Na ocasião, Roberto Sobrinho foi afastado do cargo, proibido de entrar em diversos órgãos públicos, teve os sigilos fiscal e bancário quebrados e os bens indisponíveis. Héverton chegou a afirmar que prenderia o então prefeito. “A diversificação da atuação dessa quadrilha é algo impressionante e complexo, tanto que não consegui prender o prefeito Roberto Sobrinho, ainda, mas vou prender”, afirmou o procurador.