Comunidades do semiárido baiano recebem água doce

Ao todo, o programa contempla 41 comunidades rurais localizadas na Bahia

Foto: Paulo de Araújo/MMA

Iniciativa faz parte de política pública permanente de acesso à água de qualidade

Oito municípios do semiárido baiano estão recebendo sistemas de sistemas de dessalinização implantados pelo Programa Água Doce (PAD) que beneficiarão 2,1 mil pessoas. Cachoeirinha, Amparo, Estaleiro, Vista Nova, Cascavel, Hu, Sítio Novo e Rosário fazem parte das 41 comunidades rurais da região que serão beneficiadas com o programa.

O projeto, fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema/BA), tem como principal objetivo estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para consumo humano por meio do aproveitamento sustentável de águas subterrâneas.

Melhor que mineral

Nas proximidades de Estaleiro, os moradores da comunidade de João Velho do Ipirá comemoram o acesso à água doce. De acordo com o presidente da Associação Comunitária do local, Salvador de Almeida Santos, 43 anos, “antes, a gente tomava água de barreiro e, hoje, a água é de ótima qualidade, melhor que a mineral”. Ele garante: “Está muito melhor que antes”.

Água para beber sempre foi um problema sério também para o pessoal da zona rural de Cachoeirinha. Mas, com a instalação do dessalinizador, a realidade é outra. “Agora, a água é boa, boa, boa. Toda a comunidade aprovou, porque, antes, era muito ruim, salgada. Hoje, é igual a mineral. Mudou tudo, graças a Deus”, comemora o presidente da Associação Comunitária de Cachoeirinha, o agricultor Arnol Bastos Araújo, 62 anos.

O sal da terra

O convênio do PAD com o governo do estado da Bahia é o maior do Programa e tem como meta a implantação, recuperação e gestão de 385 sistemas de dessalinização em 41 municípios baianos. Os novos sistemas de tratamento da água salobra beneficiarão cerca de 150 mil pessoas, ao custo de mais de R$ 61,8 milhões.

Por reduzir as vulnerabilidades, no que se refere ao acesso à água no semiárido, o Programa Água Doce é uma medida concreta de adaptação às mudanças climáticas e de segurança hídrica. Estudos indicam que a variabilidade climática na região poderá se intensificar, acentuando a ocorrência de eventos extremos, com estiagens mais severas, gerando consequências diretas na disponibilidade hídrica.

Por isso mesmo, “iniciativas como o Programa Água Doce, que promovem o uso sustentável da água, contribuem para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas. Trata-se de um esforço do poder público em internalizar tais preocupações, disseminando boas práticas de uso sustentável da água”, avalia o coordenador nacional do Programa Água Doce, Renato Saraiva Ferreira.

Pouca Chuva

O semiárido brasileiro possui uma área de quase 970 mil Km², o equivalente a 11% do território brasileiro, abrangendo as populações de Minas Gerais, Bahia, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Piauí e Pernambuco. São 1.133 municípios e 21 milhões de habitantes, cerca de 12,3% da população do País, sendo que nove milhões vivem na zona rural.

Em função das prolongadas secas do semiárido brasileiro, a tecnologia da dessalinização se apresenta como uma das poucas alternativas de abastecimento de água às populações rurais da região. E o Programa Água Doce assumiu a meta de aplicar a metodologia na recuperação, implantação e gestão de 1,2 mil sistemas de dessalinização até 2018, com investimentos de R$ 242 milhões, beneficiando, aproximadamente, 500 mil pessoas nas regiões mais afetadas pela seca.

Fonte: Portal Brasil