Cultura da Bahia destina 500 mil para capoeira

Capoeira tem edital inédito e investimento de R$ 500 mil

Pela primeira vez, a capoeira – uma das expressões culturais mais difundidas da cultura baiana no mundo – terá investimento exclusivo nos Editais Setoriais do Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA). São R$ 500 mil disponíveis dentro de um total de R$ 2,5 milhões destinados aos editais do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura (Secult).

As propostas devem ser enviadas até o dia 15 de agosto, através do Sistema de Informações e Indicadores em Cultura (SIIC) e por meio físico, através dos Correios (Caixa Postal 2517 CEP: 40.020-970, Salvador-BA – o formulário está disponível no site da Secult) por pessoas físicas ou jurídicas, como microempreendedores individuais (MEI), empresas e grupos e coletivos que atuem dentro do segmento cultural e artístico.

De acordo com o secretário de Cultura, Jorge Portugal, a capoeira é a maior difusora da língua portuguesa em todo o planeta. A demanda para investimentos nessa atividade é antiga e este ano foi possível atender às solicitações dessa comunidade. Além do setorial da Capoeira, a CCPI é responsável pelos editais de Culturas Identitárias, Culturas Populares e Culturas Populares – Versão Simplificada. Os projetos devem ser executados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2017 e cada proposta pode custar até R$ 60 mil.

O superintendente de Promoção Cultural, Alexandre Simões, ressalta o destaque dado à capoeira como uma forma de reconhecimento a tudo que esse misto de luta/dança significou para a Bahia. “A capoeira representa a resistência de uma cultura que durante décadas se desenvolveu às escondidas. Tudo o que a Bahia é deve justamente a essa obstinação de manter viva essa tradição. Os mestres têm grande responsabilidade por isso e abrir uma linha de fomento para essa manifestação nada mais é do que o reconhecimento à sua importância”.

Incentivo 

Para Mestre Nenel, líder da Filhos de Bimba Escola de Capoeira, o edital “veio para incentivar e apoiar a nossa luta, uma vez que a capoeira começou na Bahia e conseguiu ser preservada, difundida e perpetuada pelos mestres, mesmo quando ainda nem era aceita pela sociedade”.

Com 30 anos de existência, a escola é o projeto mais importante da Fundação Mestre Bimba, que possui núcleos na Alemanha, Bélgica, Canadá, Croácia, França, Inglaterra, Itália e Líbano. A fundação também é responsável pelo Capuerê, grupo que ensina capoeira para crianças e adolescentes de bairros periféricos de Salvador.