Quase 66 mil homens devem ter câncer de próstata no Brasil em 2020

Imagem Jorge Vianna

Na Bahia serão 6.130 no interior e capital

Após o Outubro Rosa chamar atenção para a importância da prevenção do câncer de mama, é a vez de o Novembro Azul despertar a atenção para a saúde masculina. Durante todo o mês, uma série de ações vem sendo realizada com o objetivo de conscientizar os homens sobre a necessidade da realização de exames de rotina e a adoção de hábitos saudáveis para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 65.840 homens devem ter câncer de próstata no Brasil em 2020. O urologista Rogério Araújo, destaca que apesar de todo o esforço de campanhas e do estímulo para que homens procurem o médico e adote medidas preventivas, ainda existe o tabu da população masculina.

“O câncer de próstata é o segundo com maior incidência no Brasil. O homem não tem muito o hábito de realizar os seus exames de check up com freqüência, então o Novembro Azul também tem esse cunho de levar a prevenção para eles, que costumam não ter o olhar voltado pra saúde da mesma maneira que as mulheres” declara Araújo.

Anualmente, ao longo do mês as ações orientam a população sobre a necessidade de homens acima de 45 anos deixarem o preconceito de lado e fazerem os exames de toque retal e dosagem de PSA no sangue. O controle ainda é a ferramenta mais eficiente no combate ao câncer de próstata.

 “Nada melhor que enfatizar e conscientizar a todos que desconhecem a importância do auto cuidado masculino. Este momento é um sinal de alerta para a saúde dos homens a respeito das doenças masculinas com ênfase na prevenção do câncer de próstata”, acrescenta o urologista.

Dados locais – Seguindo a tendência nacional, as estatísticas locais também apresentam números. De acordo com o INCA, a estimativa é que 6.130 homens devem ter câncer de próstata na Bahia em 2020.

Sobre o Câncer de Próstata – O INCA aponta que o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do de pele não-melanoma. Quanto mais cedo for detectada a doença, maiores as chances de cura, já que alguns tumores podem crescer de forma silenciosa, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. “Dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição do jato da urina podem ser sintomas do tumor, mas o mais comum é que a doença não apresente sinal algum”, alerta o urologista Rogério Araújo.

Segundo o médico, os fatores de risco incluem, além de idade avançada, histórico familiar, fatores hormonais e ambientais, hábitos alimentares, sedentarismo e excesso de peso. A fase do tumor e as características do paciente determinam as formas de tratamento que podem ser definidas pelo médico. Nos estágios iniciais da doença (tumores localizados e localmente avançados), a prostatectomia radical – cirurgia para retirada da próstata – é o tratamento padrão e apresenta altos índices de cura.

Novembro Azul – No ano de 2003, surgiu um movimento na Austrália, chamado de Movember (união das palavras Moustache – bigode e November – novembro). Durante o mês, os homens deixavam o bigode crescer com o objetivo de chamar a atenção para sua saúde. Isso incluía fazer um alerta público sobre o câncer de próstata. O movimento ganhou o mundo e, em 2011, influenciou na criação do “Novembro Azul”, pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que visa promover ações para elucidar dúvidas sobre a doença.

Prevenção – Conforme o INCA, já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis.

Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física de três a cinco vezes por semana, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar. A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade podem aumentar significativamente após os 50 anos.