Hortas comunitárias são realidades em Vitória da Conquista

A prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Coordenação de Segurança Alimentar da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), acompanha e apoia quatro hortas comunitárias organizadas em terrenos da Prefeitura nos bairros: Kadija, Recanto das Águas, Jardim Valéria e Vila América.

As hortas contribuem para a garantia de uma alimentação saudável e ainda possibilita a melhoria econômica de famílias de baixa renda que tem acesso a terras públicas urbanas para produzir suas hortaliças.

As orientações são coordenadas pelo setor de Segurança Alimentar em parceria com a Semagri

“O objetivo da Semdes é que essas hortas tenham sustentabilidade própria cabendo à Prefeitura ordenar, orientar e dar apoio às questões que fogem do alcance dos produtores, como nos períodos de grande estiagem que demandam acesso a água de carro pipa”, explica a coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional, Karine Barros Rodrigues.

Recentemente, a coordenação convidou a Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) para apoiar as hortas com orientações aos produtores para manterem sua produção livre de agrotóxico e autossustentável. “Nós temos percorrido todas as hortas levando orientações técnicas em relação ao manejo das culturas, ao descarte e reaproveitamento das sobras da produção e também sobre a estrutura de formação dos canteiros. O objetivo é de que estas hortas permaneçam livres de agrotóxico e que sejam autossustentáveis”, explicou o coordenador de Promoção Agropecuária e engenheiro agrônomo Eduardo Costa.

Rosileide aprovou a iniciativa da Prefeitura

Essas orientações serão seguidas pela produtora Rosileide da Silva Santos da horta do Jardim Valéria. “A gente aqui está tendo dificuldade com a terra. Ele passou uma experiência boa para gente. Vamos trabalhar seguindo o que aprendemos com ele”, comenta Rosilene que planta de tudo na sua horta para vender na feira. “Nosso produto aqui tem bastante saída, porque não tem veneno, é mais saudável e dura mais”, afirmou.

Como não usam agrotóxico, nas hortas não faltam clientes como Viviane da Silva, morada do Bairro Patagônia, que aproveita a proximidade de sua casa e compra diretamente na horta do Kadija. “Tem mais de 20 anos que eu compro aqui, minha mãe também foi cliente. Gosto das coisas daqui porque é natural, não tem agrotóxico. Eu acho melhor, ainda mais para gente que tem criança em casa”, avaliou Viviane.

Viviane é cliente há 20 anos

As quatro hortas comunitárias, contribuem para renda familiar de 83 famílias como a de Bruno de Jesus Santos que possui canteiros na horta do Jardim Valeria. “Eu tiro meu sustento daqui. Eu vendo a retalho aqui e entrego no mercado. Desde pequeno eu aprendi com a minha vó a plantar, cuidar e colher”, conta Bruno.

A administração das hortas fica por conta dos próprios produtores, a exemplo da horta do Kadija, a mais antiga da cidade, com quase 40 anos de existência que tem contribuído para alimentação saudável da comunidade e renda de 35 famílias. “Aqui cada produtor paga 3,00 reais de manutenção por canteiro. Esse dinheiro nós usamos para manutenção da bomba de água e guardamos para manutenção da horta”, explica Eliane Chagas, tesoureira da horta, que trabalha no local há 27 anos e explica como a Prefeitura ajuda: “Aqui sempre que precisamos de água recorremos à Prefeitura e também para limpeza da área externa do terreno”.

Eliene colabora com a administração da horta do Kadija

Nas hortas comunitárias os produtores praticam hábitos saudáveis que visam a produção de alimentos com a participação da comunidade em áreas próximas às suas casas, dessa forma esses espaços de produção promovem a inclusão social e a segurança alimentar além de promover também a interação das pessoas com a natureza através de práticas que proporcionam benefícios físicos e mentais.

Para Vera Lúcia Rodrigues (56) que trabalha na horta do Jardim Valéria desde 1993, a atividade de roçar, plantar, colher, vender, limpar e replantar é mais que o sustento de sua família, é uma forma de terapia. “Eu gosto de trabalhar aqui. Aqui a gente esquece do passado, a gente se distrai. É uma terapia para mim”, salientou Vera.

Para Vera a horta é uma terapia