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Turismo: Arequipa e Canion de Colca

Arequipa, a segunda maior cidade do Peru com 850 mil habitantes, é uma jóia engastada na cordilheira dos Andes. Fundada em 1540, é uma das cidades mais antigas da América do Sul e palco de diversas revoluções e conflitos. Sua principal característica é a bem preservada arquitetura colonial pertencente aos séculos 16 e 17, além da beleza impar de suas igrejas. Muitas delas possuem altares de pura prata e ouro, além de ricas imagens barrocas esculpidas em madeira. Suas ruas são estreitas, repletas de casarios coloniais e sacadas antigas. Arequipa é conhecida como “a cidade branca”, pois em suas construções foi usada uma pedra vulcânica esbranquiçada chamada Sillar. Esta pedra tem a vantagem de ser muito resistente e ao mesmo tempo fácil de ser trabalhada. A igreja de Yanahuara é um bom exemplo disto. Construída no século 16, tem sua fachada toda esculpida e decorada com figuras nativas, um estilo conhecido com Barroco Mestiço.

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Arequipa está cerca de vulcões e a praça central do distrito de Yanauhara é um ótimo lugar para observá-los. Alguns deles tem mais de seis mil metros de altura. Os mais importantes são os Chachani, Pichu-Pichu e Misti. Este último é o mais próximo, apenas a 17 quilômetros da praça principal. Outro lugar que vale a pena visitar é o mirante de Carmen Alto. Ali existe um pequeno mercado onde conhecemos dois produtos típicos do Peru. Um deles é a Maca, fruta produzida na floresta amazônica e considerada o Viagra natural do Peru. É muito consumida em todo o país. Conhecemos também o Cuy, um animal semelhante ao nosso porquinho da Índia. Aqui, o “Cuy” não é um animal de estimação e sim uma iguaria gastronômica, muito consumida nas festas tradicionais. A arqueologia comprova que o Cuy já era apreciado pelos nativos a mais de quatro mil anos.


A cidade de Arequipa possui vários lugares que chama a atenção pela sua beleza e história. Um deles é a praça central, conhecida como Plaza de armas, marcada pela presença da imensa Catedral de Arequipa. Ao caminhar pela praça é possível se misturar com a população e aprender muito sobre seus costumes. Vale a pena sentar-se em um banco e apenas observar o vai e vem das pessoas que chegam do interior para fazer negócios na cidade. Outro lugar que merece uma visita mais demorada é o Mosteiro de Santa Catalina, uma verdadeira cidade entre muros. Construído apenas 10 anos depois da fundação da cidade, o mosteiro cobre hoje uma área de 20.400 metros quadrados. Por volta de 1650 era uma honra para as famílias terem uma filha religiosa. Por este privilégio, pagava-se um grande dote à igreja para que as meninas pudessem se tornar freiras Dominicanas. Elas entravam no monastério com suas serviçais e ali ficavam reclusas até o final de suas vidas. Hoje o monastério tem sua maior parte aberta ao turismo e apenas uma pequena aérea reservada às 24 freiras que ainda vivem ali.

Minha sugestão é que não termine a sua visita a Arequipa sem visitar o museu Santuários Andinos, perto da Plaza de Armas. O museu abriga o corpo mumificado de 3 crianças Incas, encontradas congeladas no alto do vulcão Ampato. Uma das múmias foi apelidada carinhosamente de Juanita. Esta menina, que deveria ter entre 12 a 14 anos quando foi morta, foi deixada como oferenda no alto do vulcão há mais de 500 anos. Encontrada em 1995, se tornou um dos maiores achados arqueológicos do país. Sua fama correu o mundo e ela também. Juanita já foi levada para os Estados Unidos, Europa e até para o Japão.

Depois de conhecer a cidade, vale a pena seguir para o interior e visitar o impressionante Canion de Colca, um dos mais profundos do mundo com 4.280 metros. A cidade base para visitá-lo chama-se Chivay e está a cinco horas de viagem desde Arequipa. Chivay é uma autêntica vila andina com praça central, igrejinha, feira e mercado. Na vila e em todo vale do Colca, as mulheres se vestem de maneira tradicional. Usam quatro saias, dois coletes e um chapéu bordado.

Tudo muito colorido. Os motivos dos bordados e o tipo do chapéu variam de acordo com a vila onde moram e seu estado civil. Os enfeites são diferentes para as casadas e para as solteiras. Em Chivay também existem um conjunto de termas ao lado de um pequeno museu, o que ajuda e entender melhor a região e também a relaxar o corpo de depois da longa viagem.


Os passeios para o canion parte geralmente pela manhã, bem cedo. A estrada percorre as margens do vale e atravessa pequenas vilas. Uma delas é o povoado de Yanque, ainda na parte alta do vale. Com a chegada dos turistas, a população se reúne na praça central e com seus trajes típicos apresentam a dança Wititi (a dança do amor) ao redor da fonte. Esta dança representa uma lenda onde um general Inca se vestiu de mulher para raptar uma princesa do Colca. Outros moradores trazem seus animais de estimação para serem fotografados. São animais um pouco diferente dos nossos. Eu tenho gatos e cachorro. A senhora que fotografei tinha uma coruja e sua amiga uma águia andina. A maioria destes animais foi encontrada machucada ainda filhotes e assim adotada pelas famílias.

O ponto alto do passeio pelo canion é a “Cruz do Condor”, um mirante construído sobre um dos pontos mais profundos do vale. É considerado o lugar ideal para se observar o voo do Condor, uma das maiores aves do planeta. Ela chega a ter uma envergadura que supera os 3 metros e vive em média 70 anos. O condor vive nas altas montanhas e praticamente não bate as asas, usando o vento e as correntes térmicas para planar. É um vôo majestoso e suave. O Condor está quase extinto em alguns países andinos, mas aqui no Canion de Colca ele aparece com frequência. O melhor horário para observá-lo é entre as 9 e 11 da manhã, horário em que as correntes termais emergem do fundo do vale.

Arequipa e o Canion de Colca são destinos que podem ser visitados em três dias, embora eu sempre recomende um dia extra na região. Um lugar especial onde se pode conhecer a bela arquitetura peruana e as impressionantes paisagens e costumes da região do Colca. Para saber mais sobre este destino entre no site da Gold Trip e veja outras dicas de viagem para sua férias – www.goldtrip.com.br

Peter Goldschmidt

* Peter Goldschmidt é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip. www.goldtrip.com.br(11) 4411-8254