Projeto acolhe crianças com poucas chances de adoção

Projeto de Vara da Infância acolhe crianças e adolescentes com poucas chances de adoção

A 1ª Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia  (TJBA) apresentou o Projeto Família Hospedeira, nesta sexta-feira (20/9). O projeto visa promover a vivência em um contexto familiar alternativo, que favoreça o desenvolvimento bio-psico-social para crianças e adolescentes, sem possibilidades de reintegração familiar e sem interessados em adoção.

A iniciativa foi inspirada no projeto de mesmo nome, idealizado pela 3ª Vara da Comarca de Pindamonhangaba/SP, que desde 2008 colocou o Família Hospedeira na pauta do Judiciário local, mobilizando a sociedade paulista em prol deste ato que oferece à criança o princípio básico da socialização.

Estiveram presentes no evento de lançamento, apresentado pela servidora e também pedagoga, Zuleica Porciúncula, representantes de casas de acolhimento institucionais, do Ministério Público, da Defensoria Pública, de Conselhos Tutelares e o secretário de Promoção Social e Combate à Pobreza do município, Maurício Trindade.

O juiz titular da 1ª Vara da Infância e Juventude, Walter Ribeiro Costa Júnior, ao verificar que existia na Bahia, em janeiro deste ano, 646 crianças e adolescentes fora do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), por não atender ao perfil dos adotantes cadastrados, buscou alternativas para proporcionar a estes, um convívio familiar alternativo. Hoje, 25 crianças e adolescentes estão aptas a participar do Projeto Família Hospedeira, graças às avaliações das audiências concentradas.

De acordo com o magistrado, o projeto originário na Comarca de Pindamonhangaba, será replicado na Bahia,  atendendo ao perfil de cada acolhido a partir da criação de um portfólio, que terá desde documentos e informações, até fotos, desenhos, músicas, textos e poesias particulares de cada criança. A ideia é que esse álbum ajude-a a construir uma história de vida.

Os interessados em ser uma Família Hospedeira devem se cadastrar e definir um tempo de proteção e acolhimento aos menores, que poderá variar até dois anos. “Nosso desejo é que ao sair do abrigo, sem ter sido adotado, o adolescente leve consigo uma referência que, senão de pai ou mãe, tenha nas pessoas dessa família, um suporte afetivo e que seja um modelo de valores e convivência familiar”, explica o juiz Walter Ribeiro.

Talita*, recolhida no Lar Pérolas de Cristo, aos 13 anos, ainda sonha com a adoção. Para Vera Guimarães, gestora do abrigo, um dos maiores de Salvador, o projeto pode ajudar a adolescente a realizar seu sonho de ser parte de uma família. “É importante que a sociedade e os poderes públicos se sensibilizem e entendam que abrigo não é casa de ninguém”, conclui Vera Guimarães.  *Nome fictício. Texto: Laís Nascimento – Agência TJBA de Notícias