Moradores mantêm tradição junina de ornamentação de ruas

 

PMVC // Cultura, Turismo, Esporte e Lazer  22/06/2016

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Nívea organiza os últimos detalhes da decoração

‘Se depender da gente, essa tradição não morre, não’, diz Nívea Novais, da Rua da Amizade

Na Rua da Amizade, situada no bairro Cruzeiro, bandeirolas tremulam sobre os moradores há vários dias, dividindo o espaço com uma estrutura de madeira que, em breve, será coberta com lona. Ali funcionará o “barracão”, sob o qual serão colocadas mesas com comidas e bebidas típicas do período de São João.

Ainda será construído um fogão a lenha de verdade. Bonecos de pano vestidos a caráter, em tamanho natural, também ornamentarão a via, que será cercada com estacas de madeira e folhas de coqueiro, simulando um autêntico ambiente rural.

Tudo isso se explica porque, na Rua da Amizade, São João é assunto sério demais para ser tratado apenas como uma mera festa anual. Ali, há cerca de quinze anos, um grupo de aproximadamente 30 moradores se reúne anualmente para ornamentar a rua e prepará-la para o já tradicional Arraiá da Amizade. O evento reúne pessoas do próprio Cruzeiro e de outros bairros vizinhos ou não, como Alto Maron, Petrópolis, Guarani e Brasil.

Além do arrasta-pé no dia 24, a rua sedia uma festa dedicada às crianças, com brincadeiras diversas, no dia 24. “Aqui, todo mundo adora o São João. E essa foi uma maneira que achamos para reunir os amigos e as famílias, e não perder essa tradição”, informa a gerente de loja Maria Odete Souza, 46 anos, cuja casa costuma servir como depósito de objetos e linha de montagem para a decoração junina.

Rua começa a ganhar contorno de Vila Junina
Rua começa a ganhar contorno de Vila Junina

‘Tradição não morre’ – A ornamentação começa a ser discutida com mais de dois meses de antecedência, quando a maioria da população da cidade ainda nem está pensando em fogueiras, comidas e bebidas típicas ou fogos de artifício. Após um esboço do que será feito, passa-se às ações práticas.

Em abril deste ano, por exemplo, uma feijoada beneficente reuniu 350 pessoas, a fim de arrecadar fundos para a realização da festa. Mais de 30 quilos de feijão foram saboreados pelos participantes e garantiram mais um Arraiá da Amizade. “Se depender da gente, essa tradição não morre, não”, diz a professora Nívea Novais, 35.

Quase todos os envolvidos trabalham durante o dia. Portanto, resta-lhes apenas a noite para pendurar bandeirolas, montar a estrutura do “barracão” e dar conta dos inúmeros outros detalhes. Nos dias anteriores ao São João, o batente extra costuma avançar até as 22h. “É um trabalho de dedicação, mesmo. O pessoal chega cansado do trabalho, mas cada um dá sua contribuição”, descreve Nívea.

Essa dedicação já rendeu à rua consequências positivas, como o reconhecimento do poder público municipal pela contribuição à preservação das tradições juninas. Em 2014 e 2015, a Rua da Amizade recebeu duas vezes consecutivas o primeiro prêmio no Concurso de Ruas Ornamentadas, promovido pela Prefeitura. Em 2013, primeiro ano em que participou da competição, a rua já havia conquistado o terceiro lugar.

‘Seguindo em frente’ – Prêmios e competições, no entanto, são apenas consequências da festa que já têm lugar garantido em todos os anos. “Se melhorar, estraga. Aqui, todo mundo é unido como uma família”, assegura o balconista Edivando de Jesus, 44, morador da vizinha Rua Atlântica, no Petrópolis.

E, no que depender dos moradores mais jovens, parece não haver prazo de validade essa tradição. Vítor Hugo, 11 anos, filho de Maria Odete, participa da ornamentação e do Arraiá da Amizade desde pequeno. E pretende manter o costume. “Sempre fui criado assim, ajudando no São João e participando das brincadeiras. Gosto, porque a gente continua seguindo em frente com essa cultura, e não deixando ela acabar”, explica.

Para Edivando
Para Edivando, este é mais um momento de integração entre os moradores