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O caçador de estrelas

Photo by Greg Rakozy on Unsplash

* Por Nilson Lattari

            Nunca pude imaginar que fosse um dia um caçador de estrelas. Não aquelas que vicejam nos céus, mas as descobri em seres que não sabia eu, até então, que poderiam vê-las.

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            Foi num abraço de corpos, entrelaçados no momento último do prazer que uma boca entreaberta entre um sorriso e um suspiro me reteve fortemente nos braços e disse, no momento extremo, que do gozo vira estrelinhas que seus olhos replicaram.

            Mais do que um caçador de estrelas, a partir daquele momento, eu me tornei um perseguidor de céus de peles negras, brancas, morenas, de diferentes texturas e entrelacei minhas mãos em cabelos de diversas cores e aromas como se estivesse na cauda de um cometa que me levava pelas escuridões do espaço, logo eu, aquele que devia caçar estrelas.

            Eu as fabricava, pensava, dentro da minha arrogância de um sol que perambulava pelo firmamento, com os olhos ávidos da procura a querer, cada vez mais, ver as estrelas que me chegavam por outros murmúrios.

            A viagem durou todo um tempo, e o sol, que eu julgava ser eterno, cada vez tinha as estrelas mais raras. Os caçadores de estrelas passaram a ser outros, que eu identificava pelos olhares que lançavam sobre as novas estrelas, ávidos por descobri-las, que se renovavam na juventude sempre nascente.

            Foi quando eu cheguei ao fim do meu universo que julgava infinito e passei a observar outros sóis que perambulavam a minha volta e me perguntava se eles viram as estrelas que eu perseguia. Não me respondiam, como se estivessem satisfeitos em perambular, pensei eu, sozinhos.

           Lá, no final do infinito do meu destino, olhando para a história que eu construí caçando estrelas, descobri que não só delas o firmamento era feito. Além delas, aqueles sóis, que eu pensava solitários, permaneceram sólidos e estáticos, vendo, com orgulho, que em volta deles orbitavam planetas outros e, principalmente, as luas, suas companheiras de dividir as noites.

            E quanto mais brilhantes, mais elas ficavam, as luas, que seriam as fabricantes de estrelas que os meus olhos não excitavam mais.

            De tanto perseguir as estrelas que me fascinavam, deixei para trás as luas que cheias de luminosidades, e mesmo em suas fases, algumas vezes de luz, algumas vezes minguantes, algumas vezes recolhidas, são as estrelas da vida real, que não vivem só de encher nossas fantasias, mas que transformam as fantasias em realidades, no eterno transformar da vida na ânsia de criar estrelas.

Nilson Lattari é graduado em Literatura pela UERJ e especialização em Estudos Literários pela UFJF. Fui primeiro colocado em crônicas no Prêmio UFF de Literatura, 2011 e 2014, e terceiro colocado em contos pelo mesmo prêmio em 2009. Primeiro colocado em crônicas prêmio Darcy Ribeiro – Ribeirão Preto, 2014. Finalista em livro de contos Prêmio SESC de Literatura 2013, finalista em romance Prêmio Rio de Literatura, 2016, além de várias menções honrosas em contos, crônicas e poesias.