Estoques baixos nos bancos de sangue colocam em risco cirurgias em hospitais

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Com a retomada de procedimentos eletivos, demanda aumentou, mas doações de sangue não seguiram o mesmo ritmo. No atendimento de emergência, muitas vezes não dá para saber o tipo sanguíneo do paciente e por isso procurasse sempre estoque de bolsas O-, que são do tipo universal. São momentos em que cada segundo faz a diferença. É muito comum pacientes graves precisarem de transfusão de sangue no internamento.

Além das cirurgias, os hemocomponentes também são habitualmente utilizados em tratamentos de hemofílicos, pessoas com câncer e transplantados. No caso das cirurgias eletivas, existe um planejamento cirúrgico feito com, no mínimo, uma semana de antecedência em que a equipe médica prevê todos os hemocomponentes e medicamentos que serão necessários para o procedimento.

Geralmente, os hospitais têm um banco de sangue que serve como referência, que realiza a gestão do estoque centralizado e baseado no consumo de hemocomponentes por cada instituição cliente. Existe um estoque central, além de estoques em todas as agências transfusionais dentro dos hospitais. São estabelecidos estoques mínimos de cada hemocomponente, com a finalidade de garantir a segurança do processo de atendimento aos pacientes.

Dados revelam que o nível de estoques nos bancos de sangue no Brasil está mais baixo do que no período crítico da pandemia da covid-19. A explicação para isso é que o número de doações subiu menos do que o de cirurgias eletivas que voltaram a ser realizadas.

O mês de junho é o período em que há um menor volume de doações por diversos fatores, como a maior incidência de infecções respiratórias em decorrência de ondas mais intensas de frio e chuvas; o aumento de viagens motivado pelas férias escolares e, no Nordeste, pelas celebrações das festas juninas. Além disso, é necessário abastecer os estoques em razão de uma possível alta da demanda por transfusão de sangue devido ao maior número de acidentes nas estradas e aumento de casos de queimaduras por fogos de artifícios nos festejos juninos.

Para doar é preciso ter entre 16 e 69 anos, sendo que os menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal; apresentar um documento original com foto, estar com o peso acima de 50 kg, bem descansado e alimentado, evitar alimentos gordurosos algumas horas antes da doação, não fumar por pelo menos duas horas e não ingerir bebida alcoólica 12 horas antes. Pessoas que tomaram a vacina da gripe ou o imunizante Coronavac, devem aguardar 48h para realizar a doação. As demais vacinas contra a Covid-19, como Astrazeneca, Pfizer e Jassen, impedem a doação de sangue por 7 dias.