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Família Goldschmidt encanta com o Lago Titicaca

Lago Titicaca  – Peru

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 O lago Titicaca, localizado na fronteira entre o Peru e a Bolívia,  é o lago navegável mais alto do mundo, situado a 3.812 metros de altitude. Além de alto é também muito grande com 164 km de extensão e 64 km de largura. No lado peruano, sua base turística é a cidade de Puno, que tem hoje cerca de 120 mil habitantes e é conhecida como o centro folclórico do Peru. Isto acontece não só pela sua herança cultural, repleta de músicas e danças andinas, mas também pelo grande número de escolas e grupos folclóricos espalhados pela região.

Puno também é um local histórico, inserido em um circuito arqueológico que se espalha por toda a margem do lago. Suas ruínas mais importantes são a de Chucuito, um templo dedicado a fertilidade e as Chulpas de Sillustani, uma necrópole usada por reis Kolas e Incas. Nesta última existem torres fúnebres de até oito metros de altura espalhadas por uma linda colina. 

Toda a vida da cidade de Puno gira em torno do lago Titicaca. Do seu porto saem diariamente embarcações de pesca, transporte e turismo com destino a várias ilhas do lago. As mais próximas e talvez as mais famosas são as ilhas flutuantes dos Uros. Este pequeno arquipélago artificial está ancorado a apenas a meia hora de Puno. Vivem ali 1.800 pessoas, divididas em 70 ilhas familiares. Os Uros são descendentes dos Uroitos, um povo que no século XV, mudou-se da terra para dentro do lago. A principal matéria prima para os Uros é a Totora, uma espécie de junco que cresce nas margens do lago Titicaca.

Eles usam a Totora para construir suas ilhas, casas, artesanato e até na sua alimentação. Além da Totora, os Uros vivem da caça, da pesca e mais recentemente do turismo. Eles se deram conta de como seu estilo de vida pode ser atraente para os “gringos” e descobriram nesta atividade uma nova fonte de renda. Cada ilha é divida em famílias ou grupo de famílias.  Um curiosidade é que as casas são móveis, o que facilita muito as mudanças em caso de briga entre vizinhos. Em alguns casos, as ilhas podem até ser divididas e separadas. Muito prático!

 

Outra ilha muito visitada é a Taquile, que fica apenas 2 horas de navegação desde Puno. Taquile é uma ilha rochosa e sua vila principal fica a 190 metros acima do lago. Para chegar até ela existem dois caminhos: uma escadaria com 538 degraus que leva direto a vila ou uma trilha de quase 3 quilômetros, com subidas suaves e que passa por fazendas e pequenas comunidades. Recomendo a trilha, por seu mais bonita e mais fácil de percorrer.

Durante todo o caminho o visitante se encontra com os taquilenhos envolvidos em sua atividades diárias, que são basicamente a agricultura e o artesanato.  Seus trajes logo nos chamaram a atenção. Por um lado são muito semelhantes, por outro, possuem pequenas características que representas se cargo na comunidade ou seu estado civil.

Por exemplo,  as mulheres casadas normalmente se vestem com saia preta e blusa de cores sóbrias. Sobre a cabeça levam um xále de lã negro. As moças solteiras usam roupas são de cores vivas e com enormes e coloridos pompons nas pontas do xále. Todas usam de 5 a 6 saias, uma por cima da outra. Os homens em geral usam calça e colete pretos e uma cinta larga e colorida na cintura. Junto à cinta levam uma bolsa onde carregam as folhas de Coca.

A diferença entre solteiros e casados está no gorro. Os solteiros um gorro branco e vermelho e os casados um gorro vermelho. Se o homem solteiro está comprometido usa o pompom do gorro para o lado. Se está disponível, usa o pompom para trás. É um costume bem prático, que com certeza evita muita confusão.

Por falar nisto, confusão é muito rara na ilha. Os Taquilenhos têm um conjunto de três leis básicas herdadas dos antepassados Incas. São elas:

Ama Sua – Não seja ladrão.

Ama Kella – Não seja preguiçoso.

Ama Llulla – Não seja mentiroso.

Além disto, o principio de companheirismo e da reciprocidade são muito fortes na comunidade. Se alguém precisa de ajuda, todos colaboram. Cada comunidade tem um presidente a quem todos os conflitos e necessidades são apresentados.


Como sinal de sua autoridade, estes chefes usam um gorro colorido sob um chapéu escuro. Todos os Domingos, depois da missa, os presidentes das diversas comunidades se reúnem com o prefeito (eleito por 4 anos) e discutem a solução dos problemas. Nunca terminam a reunião sem dar uma solução a cada caso.

A comunidade de Taquile também é muito saudável. Existem poucas doenças e a média de vida é uma das mais elevadas do Peru, chegando aos 85 anos. Isto se deve muito a vida tranqüila e ao fato de 98% das pessoas da ilha serem vegetarianas. Os animais da ilha são usados apenas para ajudar na agricultura e para retirar leite e lã.

 A região de Puno e do lago Titicaca é um destino que pode ser visitado durante todo o ano. Mas atenção, as maiores chuvas acontecem entre janeiro e fevereiro e o inverno é bem frio. Para saber mais sobre este destino, assista ao vídeo no link abaixo ou entre no site da Gold Trip – www.goldtrip.com.br

Por Peter Goldschmidt

* Peter Goldschmidt é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip.  www.goldtrip.com.br – (11) 4411-8254

Lenda –    Manco Capac e os Taquile

Conta a lenda que o império Inca surgiu quando o primeiro rei, Manco Capac, filho do deus Sol imergiu do lago Titicaca. Ao seu lado surgiu também Mama Ocllo.  Antes de irem a Cusco, onde fundariam sua capital, fizeram uma parada na Ilha Taquile. Mama Ocllo ensinou as mulheres a fazer fios, a cozinhar e cuidar de suas casas. Manco Capac ensinou aos homens a agricultura e também a tecer. Tudo isto sob uma condição. Os conhecimentos sobre a tecelagem nunca deveriam deixar a ilha. Por isto, até hoje são os homens que tecem em Taquile e seu artesanato é diferente dos outros na região de Puno.