“Vidas importam! A dialise não pode parar!”

Dia D da Diálise na Bahia alerta para falta de recursos e vagas de pacientes

Campanha nacional mobiliza a sociedade e autoridades para a necessidade de investimentos no tratamento e transplante

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) convida a imprensa, a comunidade, redes clínicas, indústrias, médicos, equipes multidisciplinares e familiares de pacientes com doenças renais da Bahia a participarem do “Dia D da Diálise”, no dia 29 de agosto. Com o mote “Vidas importam! A Diálise não pode parar”, a data marca a luta por reivindicações e melhorias para o setor. No estado baiano, as ações se concentrarão em Salvador, na Avenida Getúlio Vargas e no Farol da Barra, com médicos, enfermeiros e técnicos fazendo a aferição de pressão, teste glicêmico e oferecendo orientações sobre a doença. No Farol da Barra também serão oferecidas frutas e água para os praticantes de caminhada ou corrida. 

Atividades similares acontecerão paralelamente em outras cidades do estado com a entrega de material informativo sobre a doença renal crônica em vias públicas. Em Feira de Santana, a mobilização acontecerá na Av Sampaio 444 (Centro), a partir das 9h.  Em Jequié, será no Centro de Doenças Renais (Rua Bertino Passos, 124 – Centro); enquanto na cidade de Santo Antônio a ação funcionará na Clínica do Rim (Rua A1, Nº 179 – Quinta do Inglês), e em Eunapólis na Clínica Santa Cruz (Av. Presidente Kennedy, 425).

A iniciativa busca mobilizar os governos municipais, estudais e federal de investimentos para a hemodiálise e a diálise peritoneal, fundamental para a sobrevivência de mais de 122 mil pacientes renais crônicos no Brasil que dependem do tratamento para manter uma vida próxima do normal. O presidente da ABCDT, Yussif Ali Mere Júnior, convoca a sociedade para participar das ações em seus respectivos estados: “Buscamos condições mais justas para pacientes renais e colaboradores da área. Contamos com o apoio e protagonismo da população nesta luta. Juntos somos mais fortes! A Diálise não pode parar!”.

As reivindicações da ABDCT no “Dia D” são pela adequada remuneração do valor da sessão de hemodiálise e diálise peritoneal às mais de 700 clínicas de diálise que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo tratamento de qualidade e acesso para os pacientes renais crônicos. Há anos, o valor pago pelo Ministério da Saúde está abaixo do custo real e não acompanha a cotação do mercado. Grande parte dos insumos, como produtos e maquinários são importados, além de gastos com dissídios trabalhistas, folha de pagamento, água, energia e impostos. Com essas despesas e a grave diferença de valor, clínicas ameaçam encerrar suas atividades pela falta de recursos para compra de insumos para o atendimento aos pacientes.

Dificuldades na Bahia
De acordo com o Inquérito Brasileiro de Diálise Crônica, a taxa de prevalência estimada de pacientes em diálise crônica no Brasil é de 610 por milhão de habitantes. A prevalência de pacientes em dialise vem crescendo em todas as regiões do Brasil ao longo dos anos e existe uma desigualdade significativa entre estados e regiões em relação a essas estimativas. Na Bahia, por exemplo, o número estimado de pacientes em diálise foi de 518 por milhão de habitantes, enquanto em Alagoas e Pernambuco as taxas foram, respectivamente, de 864 e 633 pacientes por milhão de habitantes. Estes dados sugerem limitações no acesso ao tratamento na Bahia, quando comparado com o número de pacientes dialíticos em outros estados.

Estudo realizado no Serviço de Nefrologia do Hospital Geral Roberto Santos em Salvador, mostra que a maioria dos pacientes com doença renal crônica do interior da Bahia que foram internados neste serviço e posteriormente encaminhados para terapia renal substitutiva, geralmente necessitavam percorrer longas distâncias para ter acesso à HD.  A idade média deste grupo é de 44 anos, sendo 55,6% do sexo feminino.

De acordo com o levantamento, a distância média entre o município de residência e o município da unidade de HD foi 101 km e a estimativa de tempo gasto para percorrer o percurso de ida e volta entre os municípios foi de 4h. Além da importância da descentralização e interiorização dos serviços de TRS, o estudo destaca que a diálise peritonial pode ser uma alternativa para facilitar o acesso à TRS no interior da Bahia, por necessitar de infraestrutura mais simples e poder ser realizada no âmbito domiciliar. No entanto, fatores relacionados a condições de moradia e outros aspectos socioeconômicos podem limitar a utilização de diálise peritonial em larga escala.       

Sobre a ABCDT
A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) é uma entidade de classe que representa as clínicas de diálise de todo o país. Tem como principal objetivo zelar pelos direitos e interesses de seus associados, representando-os junto aos órgãos públicos, Ministério da Saúde, Senado Federal, Câmara Federal, Secretarias Estaduais e Municipais. Também representa as clínicas e defende seus interesses individuais e coletivos.