Quarta que Dança avança pelo interior baiano

Quarta que Dança avança pelo interior baiano com dois circuitos de espetáculos e trabalhos em processo de criação em 20 cidades
Ao todo, serão 12 ações entre espetáculos de dança, compartilhamento de trabalhos em processo de criação, atividades de formação e rodas de conversas
O Quarta que Dança – Circuitos Artísticos 2026 dá continuidade, a partir do dia 8 de julho, à sua jornada de apresentações em 20 municípios baianos após um início de temporada brilhante com apresentações do BTCA e Odun Cia de Dança em Salvador e Vitória da Conquista.
Até o final de agosto, oito espetáculos e quatro trabalhos em processo de criação, selecionados via edital e organizados em dois circuitos, ocupam espaços culturais de Salvador, Itabuna, Alagoinhas, Itajú do Colônia, Jequié, Juazeiro, Ibicaraí, Ibititá, Itabela, Camaçari, Irecê, Eunápolis, Feira de Santana, Sobradinho, Lauro de Freitas, Santa Inês, Ipiaú, Caetité, Cachoeira e Vitória da Conquista.
“Seguiremos, nos meses de julho e agosto, com a programação desse importante projeto que fomenta a circulação de produções artísticas da dança e a realização de ações de formação. Especialmente este ano, o projeto chegou com força, e o circuito de abertura realizado em junho já demonstrou isso.
Agora, pisaremos outros territórios, com mais espetáculos, mais atividades formativas e rodas de conversas, e mais municípios baianos recebendo a nossa programação”, reforça Leândro Santos, coordenador de Dança da Diretoria das Artes da Funceb.
O Circuito 1 começa no dia 8 e vai até 29 de julho, com quatro espetáculos apresentados em diferentes locais, além de dois trabalhos em processo de criação.

A cada quarta-feira serão apresentadas as coreografias Ibanujé – O corpo como memória ancestral, Poesia de um corpo, Da própria pele, não há quem fuja e Me Brega Baile, revezando os palcos de apresentações nas cidades de Salvador, Itabuna, Juazeiro e Vitória da Conquista, além dos municípios de Maracás, Jequié, Ibititá, Camaçari, Irecê, Itajú do Colônia, Ibicaraí, Itabela e Eunápolis.

Em Salvador, no Espaço Xisto Bahia (Barris), no dia 8, às 19h, o público terá oportunidade de ver a coreografia Ibanujé – O corpo como memória ancestral, idealizada e interpretada por Toni Silva.
O solo de dança afro-diaspórica é um ritual cênico que funde movimentos ancestrais, narrativas poéticas, música e elementos visuais, transformando o corpo em um arquivo vivo de memória e resistência negra.

Em um contexto onde a cultura afro-brasileira ainda enfrenta invisibilidade e desvalorização, Ibanujé surge como uma ferramenta artística, pedagógica e simbólica de valorização da ancestralidade e fortalecimento da identidade negra.
Em Itabuna, no Centro de Cultura Adonias Filho, também no dia 8, às 19h, sobe ao palco o espetáculo Poesia de um corpo, com a Áttomos Cia de Dança.
A obra propõe um olhar sobre as inquietações da existência, com todas as mudanças e situações adversas enfrentadas no dia a dia.
Na coreografia, as estratégias de cortes não convencionais das cenas propõem transformações e mudanças de ambiente, que convocam o público a estar como parte da obra.
Um corpo que dança é também um corpo que envelhece, se transforma e amadurece como quem descasca camadas de uma cebola até chegar à sua essência mais genuína.
O espetáculo Da própria pele, não há quem fuja, apresentado no mesmo dia e horário, na cidade de Alagoinhas, parte da simbologia dos orixás e aspectos das manifestações populares do recôncavo baiano Zambiapunga e Mandus. O trabalho transita entre memórias pessoais e ressignificações destas manifestações.
O corpo festivo e sagrado se apresenta como encruzilhada, conexão entre encontros e desencontros e chegada e partida de heranças africano-brasileiras. Com direção e concepção de Brunno de Jesus, a coreografia revive e renova enredos da ancestralidade africana em diáspora convidando o público a uma experiência sensorial dançada.
A quarta apresentação agendada para este dia acontece em Juazeiro, com Me Brega Baile, do Coletivo Casa 4.
Fruto de pesquisa do grupo sobre danças de salão a partir de corpos LGBTQIAPN+, propõe uma releitura contemporânea dos códigos tradicionais do baile.
Inspirado no imaginário do brega, incluindo suas músicas, e nas experiências afetivas presentes nas pistas de dança populares, o espetáculo mistura dança, teatralidade e improvisação para investigar relações de poder, sedução e cumplicidade que atravessam os encontros dançantes.
No palco, o baile se torna um espaço de reinvenção: papéis de gênero são embaralhados, as conduções se multiplicam e os corpos experimentam novas formas de proximidade e presença.
Ainda neste dia, acontece o compartilhamento do trabalho em processo de criação Corpo Texto, com Mynho Nascimento, na cidade de Ibicaraí.
É um laboratório de experimentação e criação a partir do solo de dança homônimo, que se expande para a construção de um movimento coletivo com mais quatro dançarinas, configurando um processo de criação que parte da experiência de um dançarino fruto da produção em dança no interior do estado e se desdobra em corpo-comunidade.
O trabalho terá duas apresentações, finalizando na cidade de Itaju do Colônia na quarta-feira 15 de julho, às 8h.
Nas semanas seguintes, até 29 de julho, os mesmos espetáculos e propostas de atividades formativas acontecem em outras cidades. Completando o Circuito 1, será oferecido ao público o trabalho em processo de criação Cronofobia, de Maéli de Marcos. O trabalho em processo criativo propõe aos corpos dançantes um laboratório que investiga o caos cotidiano e as narrativas recorrentes sobre a “falta de tempo”. Uma reflexão sobre como a sociedade organiza suas tarefas diárias como trabalho, estudos, família e vida social, e de como essas demandas atravessam os modos de existência. Esta formação vai acontecer nas cidades de Itabela e Eunápolis nos dias 22 e 29 de julho.
Circuito 2 – A segunda e última fase de circulação do Quarta que Dança – Circuitos Artísticos 2026 começa no dia 5 de agosto e vai até o dia 26. Ao longo do mês de agosto, os espetáculos, os trabalhos em processo de criação e atividades formativas passam por Feira de Santana, Lauro de Freitas, Sobradinho, Cachoeira, Irecê, Caetité, Santa Inês, Ipiaú, Alagoinhas e Salvador. Na programação, estão os trabalhos In_Nova, do Balé Jovem de Salvador, Ori-Ô, da Campêlo Cia de Dança, Debaixo D’Água, do Coletivo Trippé, Correndo trecho: do subúrbio baiano para o interior do estado, da Cia Five.
Correndo trecho: Do subúrbio baiano para o interior do estado, da Cia Five, é uma celebração das artes periféricas e da cultura do pagode baiano. A obra mergulha nas vivências cotidianas dos jovens do subúrbio de Salvador, destacando a presença vibrante da dança e da música, expressões fundamentais das comunidades periféricas locais. Com uma proposta inovadora, o espetáculo mistura diferentes linguagens de dança, como o hip hop, samba e elementos contemporâneos, criando uma narrativa envolvente que reflete as tensões sociais e culturais da juventude que vive em bairros populares.
In_Nova é uma obra do Balé Jovem de Salvador que procura, através do trabalho colaborativo entre quatro coreógrafos baianos, expandir os pressupostos já estabelecidos nos processos ligados a coreografia, buscando novas intencionalidades na cena em tempo real e alargando o conceito de obra de dança. Como inspiração central, os criadores juntamente com o elenco partiram do processo de criação de Um cão andaluz, dos surrealistas Luis Buñuel e Salvador Dali. São cenas que não estabelecem um nexo dramatúrgico definido e que se sobrepõem à medida em que os intérpretes propõem desvios coreográficos, novas cenas e novas performances, tudo em tempo real.
A obra Ori-Ô, da Campêlo Cia de Dança surge a partir de inquietações com acontecimentos sociais contemporâneos, especialmente no que diz respeito ao cuidado afetivo e psicológico. Considerando que parte da população brasileira apresenta preocupações relacionadas à ansiedade e depressão, a obra enfatiza a necessidade do equilíbrio mental e autocuidado. Assim, por meio da dança afro contemporânea e da espiritualidade de matrizes africanas, o espetáculo se afirma como mensagem de fé, consciência e fortalecimento ancestral, reforçando que o sentir das divindades permanece vivo nas múltiplas existências.
Debaixo D’Água, do Coletivo Trippé, é um convite a mergulhar em um mundo de aventuras. A obra reúne as peripécias de quatro brincantes que dão vida a objetos inanimados. Baldes, garrafas e sacolas viram animais aquáticos e outros despropósitos, em um jogo onde o mais importante é estar junto. Aqui, dança-se a água, sua importância e sua falta, dança-se com suas histórias e seus problemas para que o olhar da criança se atente para suas belezas.
O trabalho em processo de criação intitulado Laboratório Corpo Memória (Vozes Maní) será disponibilizado em Santa Inês e Ipiaú. É uma ação formativa em dança contemporânea que nasce do processo de criação do espetáculo Vozes Maní. A proposta compartilha oficinas com metodologias desenvolvidas durante a construção da obra, investigando corpo-memória, ancestralidade, territorialidade e experiências de mulheres negras do interior da Bahia.

Completando o segundo circuito, o trabalho em processo criativo E se eu não contasse, quem contaria? com Licia Maria Morais Sanchez, nasce de uma investigação sensível e profunda sobre trajetória, resistência, identidade e memória, desenvolvida a partir do método criativo de Pina Bausch. Aberta ao público nas cidades de Salvador e Alagoinhas.


