Julho Verde alerta para sinais de alerta do câncer de cabeça e pescoço

Imagem POrtal da Saúde. Fonte: Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão//Carla Santana –

Feridas na boca, rouquidão persistente e caroços no pescoço merecem exigem investigação

Uma ferida na boca que não cicatriza em até 15 dias, uma rouquidão persistente ou um caroço no pescoço que cresce progressivamente podem ser os primeiros sinais de um problema mais grave.

Durante o Julho Verde, campanha de conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço, especialistas reforçam que alterações persistentes não devem ser ignoradas.

São tumores que podem ocorrer em regiões como boca, língua, garganta, faringe, laringe (cordas vocais), cavidade nasal, seios da face, tireoide, pele e glândulas salivares.

Como os sintomas variam conforme a área afetada, a observação do próprio corpo e a procura por atendimento médico especializado são fundamentais.

Dr. Tércio Guimarães Reis. Foto acervo pessoal

Segundo o médico Tércio Guimarães Reis, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, os sinais da doença “vão depender de onde o tumor está localizado”.

Feridas e manchas brancas ou vermelhas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, rouquidão persistente, dificuldade ou dor para engolir, sensação de algo preso na garganta, obstrução em apenas um lado do nariz que não volta ao normal e nódulos no pescoço com crescimento progressivo estão entre as alterações que precisam ser investigadas. 

A atenção deve ser ainda maior quando os sintomas permanecem por mais de duas ou três semanas.

Ao falar sobre os tumores da cavidade oral, o especialista alerta para “qualquer ferida que apareça na boca por mais de duas ou três semanas”.

Lesões que não doem e não cicatrizam, assim como placas brancas ou avermelhadas que não desaparecem, merecem avaliação profissional, sobretudo em pessoas que fumam ou consomem bebidas alcoólicas com frequência. 

O diagnóstico ainda ocorre tarde – embora muitos desses tumores possam ser percebidos por meio de sinais visíveis ou alterações funcionais, o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios.

Pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2025 mostrou que cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço analisados no país, entre 2000 e 2017, foram identificados em estágios avançados.

Quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores são as possibilidades de realizar tratamentos menos extensos, com menor risco de sequelas e preservar funções importantes, como fala, mastigação, deglutição e respiração.

Em casos avançados, pode ser é necessária, na maioria dos casos, a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

*O tratamento do câncer de cabeça e pescoço é multiprofissional e envolve o *acompanhamento de profissionais como fonoaudiólogos, cirurgiões-dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o problema. Para cada ano do triênio 2026–2028, o INCA estima 10.880 novos casos de câncer da cavidade oral no Brasil, sendo 7.570 em homens e 3.310 em mulheres.

Na Bahia, a previsão é de aproximadamente 640 novos casos anuais. Esses dados representam apenas os tumores de lábios e cavidade oral, uma das localizações incluídas no grupo dos cânceres de cabeça e pescoço.

Prevenção começa com mudança de hábitos – O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas permanecem entre os principais fatores de risco.

Quando os dois hábitos estão associados, o perigo é ainda maior. A infecção pelo HPV também está relacionada especialmente aos tumores da orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua.

Não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter a vacinação contra o HPV atualizada conforme as recomendações do Ministério da Saúde, utilizar proteção solar nos lábios e procurar atendimento diante de alterações persistentes são algumas das principais medidas preventivas. A vacina contra o HPV protege contra tipos do vírus associados, entre outros tumores, ao câncer de orofaringe.

Consultas odontológicas regulares também contribuem para identificar alterações suspeitas na boca. Entretanto, a ausência de dor não deve ser interpretada como sinal de que não há gravidade.

Feridas, manchas, rouquidão ou caroços que permaneçam por mais de duas ou três semanas precisam ser avaliados por um especialista.

Mais do que concentrar o debate em julho, a campanha busca estimular uma atenção permanente. Reconhecer precocemente os sinais e procurar assistência sem demora pode representar a diferença entre um tratamento mais simples e uma doença descoberta em estágio avançado.