“Ser Dindo(a) é Massa”: suporte emocional e material a crianças e adolescentes

Em março, Patrícia Matos, de 43 anos, conheceu A.V.B.P. Um encontro que transformou a vida das duas. Na época, a adolescente de 17 anos era acolhida na Unidade de Acolhimento Feminino, em Ilhéus, no sul da Bahia, e estudava com a filha de Patrícia.
Conforme crescia a amizade entre as duas, despertou em Patrícia um enorme carinho e desejo de ajudar a jovem. Na busca por formas de fazê-lo, ela conheceu o projeto “Ser Dindo(a) é Massa”, realizado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) em parceria com a Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), e decidiu tornar-se madrinha afetiva da jovem.
Lançado em 2024, o projeto “Ser Dindo(a) é Massa” tem o objetivo de promover o apadrinhamento de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. Por meio da iniciativa, é oportunizada a criação de laços afetivos e oferecido suporte emocional e material para garantir o desenvolvimento saudável dos jovens.
Para Patrícia, ter se tornado madrinha foi uma experiência que mudou sua própria vida. “Às vezes, o que transforma uma vida é saber que existe alguém acreditando neles. Ser madrinha mudou a vida da minha afilhada, mas transformou a minha também”, relatou Patrícia.
Por entender que, na maioria dos casos, a liberdade está diretamente relacionada à independência financeira, a madrinha buscou formas de inserir a afilhada no mercado de trabalho. Nesse sentido, ajudou A.V.B.P. a conquistar seu primeiro estágio.
“Patrícia é uma pessoa maravilhosa e o projeto do apadrinhamento é incrível. Ela me acolheu em um momento de fragilidade, culminando uma relação que vai permanecer para além do laço de madrinha e afilhada”, aponta A.V.B.P.
Ser Dindo(a) é Massa
Gerido pela Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do TJBA, o projeto “Ser Dindo(a) é Massa” tem como público-alvo crianças e adolescentes com poucas chances de adoção, geralmente acima de 8 anos de idade ou com condições especiais de saúde.
Para a coordenadora da CIJ – Desembargadora Andrea Paula Matos de Miranda –, o apadrinhamento não substitui a adoção, tampouco é uma ação pontual de caridade. “É construir, com responsabilidade e continuidade, uma referência segura na vida de uma criança ou de um adolescente”, enfatiza a magistrada.
Aos interessados em fazer parte do projeto, tornando-se madrinha ou padrinho e ajudando a transformar a vida de crianças e adolescentes, como Patrícia transforma a de A.V.B.P. a cada dia, o processo inicial pode ser feito de forma simples.
Basta ter mais de 24 anos, acessar o formulário eletrônico disponibilizado pelo TJBA e responder às perguntas indicadas, informando a modalidade de apadrinhamento desejada: afetivo, provedor ou prestador de serviços.
Acesse o formulário aqui:https://docs.google.com/forms/d/1vSvsegfCsnRwdXIkcp0fb-coiepwpLPl-gfMxQqzTRg/viewform?edit_requested=true
O cadastro é recebido pela CIJ e encaminhado à Vara da Infância e da Juventude competente, de acordo com o território onde ocorrerá o apadrinhamento. Em seguida, a unidade entra em contato com o padrinho ou a madrinha para iniciar os trâmites do processo.
Como recado aos interessados, Patrícia enfatiza que a experiência ensina, diariamente, sobre amor, responsabilidade e esperança. Segundo ela, o apadrinhamento é um benefício para ambas as partes. “Não tenham medo, vão de coração aberto. Essas crianças e esses adolescentes não precisam apenas de ajuda material; eles precisam se sentir acolhidos, lembrados e pertencentes”.


