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Câmara celebra 46 anos da Academia Conquistense de Letras em sessão especial

Fonte: Ascom Câmara Municipal de Vitóri da Conquista. Por Andréa Póvoas, Camila Brito e Murilo Trindade

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista realizou, na manhã desta quarta-feira (2), uma sessão especial em comemoração aos 46 anos da Academia Conquistense de Letras (ACL). A solenidade reuniu acadêmicos, escritores, representantes do poder público, vereadores e convidados para celebrar a trajetória da instituição e discutir os desafios da literatura e da cultura no município.

Ao abrir a sessão, o presidente da Câmara, vereador Ivan Cordeiro, destacou que valorizar a Academia Conquistense de Letras é também reconhecer a própria história de Vitória da Conquista. Segundo ele, uma cidade se fortalece quando conhece suas origens e preserva a memória daqueles que contribuíram para sua construção cultural.

“Estamos celebrando os 46 anos da Academia Conquistense de Letras, uma das instituições mais importantes da história de Vitória da Conquista. E essa história com as letras não começou ontem. Ela vem lá de trás, de 1911, quando nasceu o jornal A Conquista, seguido por O Conquistense e A Palavra. Ali já dava para ver que o conquistense não era um povo de ficar calado, mas um povo de opinião, de cultura e de atitude”, afirmou.

Ivan também homenageou os fundadores e antigos integrantes da Academia e destacou o trabalho realizado para viabilizar uma sede definitiva para a instituição. A Câmara, em parceria com a Academia e a Secretaria Municipal de Cultura, discute a possibilidade de instalação da ACL no Solar dos Ferraz, casarão histórico localizado no Centro da cidade.

O presidente da Academia Conquistense de Letras, Valmir Henrique de Araújo, agradeceu a homenagem e ressaltou o papel da instituição na vida cultural do município. Para ele, a literatura e a poesia têm papel fundamental na construção de uma sociedade mais sensível e humana.

“O dia de hoje é o reino do brinde, de se brindar o nascimento de uma academia, a mais importante instituição cultural de uma cidade, a Academia de Letras”, declarou.

Valmir também defendeu uma aproximação cada vez maior entre a Academia e a comunidade, convidando a sociedade a participar do processo de valorização da leitura e da cultura.

Academia como guardiã da memória – O secretário municipal de Cultura, Alecxandre Magno, ressaltou a importância de celebrar uma instituição que há 46 anos contribui para a preservação da identidade cultural de Vitória da Conquista.

“Essa história é construída por homens e mulheres que dedicaram suas vidas à literatura, à educação, à memória e à preservação da nossa identidade. A Academia Conquistense de Letras é, acima de tudo, uma guardiã da nossa história. É um espaço onde a palavra ganha força, onde a memória encontra abrigo e onde a nossa cultura é preservada para as futuras gerações”, afirmou.

A presidente da Casa da Cultura, Poliana de Magalhães Aguiar, também destacou o papel dos pioneiros na construção da literatura conquistense. Integrante da Academia há mais de duas décadas, ela lembrou nomes que ajudaram a formar a trajetória cultural do município, como Maneca Grosso, Camilo de Jesus Lima e Eratóstenes Menezes.

“A academia não nasceu de repente. Ela veio por meio de uma semeadura de pessoas que estavam aqui muito mais antes que nós”, afirmou.

O vice-presidente da Academia, Esmeraldino Correia, ressaltou a qualidade dos escritores que integram a instituição e classificou a ACL como um “baluarte” de Vitória da Conquista. Para ele, a arte, a poesia e a literatura são elementos fundamentais para humanizar a sociedade.

“Este grupo de mulheres e homens tem mérito, competência e capacidade literária para fazer arte em Vitória da Conquista. A academia representa um baluarte para a cidade, já ganhou vários prêmios e reconhecimentos”, declarou.

Sede própria e democratização da cultura – Além da celebração da trajetória da Academia, a sessão também abriu espaço para discutir os caminhos da cultura em Vitória da Conquista.

O vereador Andreson Ribeiro (PCdoB) parabenizou os integrantes da ACL e defendeu a renovação da instituição sem perder de vista o legado deixado pelas gerações anteriores. O parlamentar voltou a defender a criação de uma sede própria para a Academia e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação, cultura, esporte e lazer.

“Precisamos fortalecer, sim, as políticas públicas, no sentido da educação, da cultura, do esporte, do lazer”, afirmou, defendendo que o acesso à produção cultural alcance também os jovens e moradores das periferias.

O vereador Edivaldo Ferreira Júnior (PSDB) classificou a cultura como uma pauta de grande importância para Vitória da Conquista e afirmou que a sessão especial demonstra o papel do Legislativo como espaço de representação da sociedade.

“Essa sessão especial mostra que a Câmara está sendo uma caixa de ressonância da nossa sociedade”, afirmou.

O parlamentar também abordou a importância da democratização do conhecimento e da credibilidade das instituições e dos agentes públicos para a manutenção da civilidade democrática.

Desafio é formar novos leitores – A relação entre literatura, novas tecnologias e formação de leitores também esteve entre os temas debatidos durante a sessão.


O vereador Alexandre Xandó (PT) chamou atenção para os desafios enfrentados pela literatura em um cenário marcado pelo crescimento das novas tecnologias e defendeu que o incentivo à produção literária precisa caminhar lado a lado com a formação de novos leitores.

Para o vereador, é necessário aproximar a Academia de Letras de iniciativas culturais que já desenvolvem trabalhos nas comunidades, como movimentos de hip hop, saraus e bibliotecas comunitárias, além de ampliar o alcance das políticas públicas de leitura para as periferias e a zona rural.

“Não basta a escrita se não há quem leia. E hoje eu acho que esse é um grande desafio: a gente produz, escreve, mas quem está lendo?”, questionou.

Ao longo da sessão, os discursos convergiram para a necessidade de preservar a memória cultural de Vitória da Conquista, mas também de garantir que a literatura permaneça viva e acessível às novas gerações.

A comemoração dos 46 anos da Academia Conquistense de Letras, portanto, foi também uma oportunidade para olhar para o futuro: fortalecer a instituição, buscar uma sede própria, aproximar a literatura das comunidades e formar novos leitores, mantendo viva a tradição de uma cidade que, há mais de um século, encontrou nas palavras uma forma de registrar sua própria história.