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AVC se torna preocupação também entre jovens

Fonte: Andrea Persona – UniFG

Reconhecimento dos sintomas e rapidez no atendimento são decisivos para reduzir mortes e sequelas

Dor de cabeça súbita e intensa, dificuldade para falar, alteração na visão, perda de força em um dos lados do corpo ou dificuldade para caminhar podem parecer sintomas passageiros, mas também podem ser sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais emergências neurológicas.

Embora seja mais frequente entre idosos, a doença também pode atingir adultos jovens e está relacionado a fatores de risco que vêm se tornando cada vez mais presentes nessa faixa etária.

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam a dimensão do problema: em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 292 mil atendimentos por AVC no Brasil, sendo 218 mil relacionados ao AVC isquêmico, provocado pela obstrução de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro. O tipo isquêmico corresponde a cerca de 85% dos casos.

Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) apontam que, em 2025, até 24 de outubro, cerca de 2.700 pessoas haviam morrido em decorrência de AVC.

O levantamento mostrou ainda que 87% das mortes ocorreram entre pessoas com mais de 60 anos. Em Salvador, foram registrados 344 óbitos nos dez primeiros meses de 2025, contra 333 durante todo o ano de 2024.

Apesar da predominância entre idosos, o neurologista Woquiton Martins, professor do curso de Medicina da UniFG Bahia, integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, chama atenção para a ocorrência do problema entre os mais jovens: “O AVC não deve ser encarado como uma doença exclusiva da terceira idade. Quando fatores como hipertensão, obesidade, diabetes, tabagismo, sedentarismo e uso de álcool ou outras substâncias aparecem cada vez mais cedo, o risco cardiovascular também pode surgir precocemente. Em pessoas jovens, ainda precisamos investigar causas específicas, como alterações cardíacas, distúrbios da coagulação, doenças autoimunes e genéticas”.

Sintomas aparecem de forma repentina – Um dos principais sinais de alerta é o surgimento de alterações neurológicas. A orientação do especialista é buscar um pronto atendimento diante de sintomas como fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, alteração da fala ou da compreensão, dificuldade repentina para enxergar, tontura ou perda de equilíbrio, confusão mental e dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente.

“Diante de qualquer alteração neurológica súbita, não se deve esperar para ver se o sintoma vai passar. É preciso acionar o SAMU, pelo 192, ou procurar imediatamente um serviço de emergência. No AVC, o tempo é determinante porque cada minuto de circulação cerebral interrompida pode representar perda de tecido cerebral”, alerta Woquiton Martins.

Uma forma simples de reconhecer alguns desses indícios é observar o rosto, os braços e a fala: um lado do rosto pode ficar caído, um dos braços pode perder força e a pessoa pode apresentar dificuldade para falar ou compreender frases. Oscilações na caminhada ou na visão também devem ser consideradas.

Tratamento depende do tipo de AVC – O AVC pode ser isquêmico, quando um vaso sanguíneo é obstruído, ou hemorrágico, quando ocorre o rompimento de um vaso e sangramento no cérebro.

Por isso, o diagnóstico precisa ser realizado rapidamente por uma equipe médica, geralmente com exames de imagem, como a tomografia computadorizada.

No AVC isquêmico, alguns pacientes podem receber medicamentos para dissolver o coágulo. Em determinadas situações, também pode haver indicação de tratamento endovascular, como a trombectomia mecânica.

O tratamento também não termina após a fase aguda. Dependendo das áreas cerebrais atingidas e da extensão da lesão, o paciente pode apresentar dificuldades motoras, alterações visuais, na fala e na linguagem, problemas de memória, dificuldades para engolir e mudanças emocionais ou cognitivas.

A reabilitação pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e acompanhamento médico, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

“Quanto mais cedo o atendimento começa, maiores são as possibilidades de preservar funções neurológicas e reduzir a gravidade das sequelas. E, depois da emergência, a reabilitação é fundamental para recuperar a maior autonomia possível. Por isso, reconhecer os sinais e buscar ajuda rapidamente pode fazer uma diferença enorme na vida do paciente”, conclui o neurologista.

Prevenção começa antes dos primeiros sintomas – Embora idade e predisposição genética sejam fatores que não podem ser modificados, boa parte das condicionantes associadas ao AVC pode ser controlada.

Manter a pressão arterial, a glicemia e o colesterol sob acompanhamento, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e controlar o peso estão entre as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde.