A arte de vender loucuras

Foto de Joseph Corl na Unsplash

Crônica da semana por Nilson Lattari

          Algumas vezes me deparo com algum artigo ou mesmo em alguns livros de autoajuda sobre fazer loucuras por alguma coisa: amor, trabalho, prazeres ou aventuras. Então me pergunto, e isso faço constantemente, se quem manda fazer loucuras por alguma coisa faz ou tem coragem de fazê-las de fato?

          É ponto comum com o “faço o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Tem gente que tenta vender aquilo que não tem coragem de comprar ou mesmo de fazer. Ou seja, joga para uma plateia buscando likes e aplausos e sai à francesa sem sentir nenhuma obrigação com o que diz ou diz fazer.

          Não. Não aconselho ninguém a fazer loucuras até porque quem as faz, na maioria das vezes, é retirado do convívio social. Não desejo isso a ninguém e, portanto, não sou favorável a elas.

          Há espaço suficiente na web para propagar o que se queira, inclusive loucuras de dizer sandices contra a ciência na busca de um público (que existe!) louco para achar algum bom escriba que defenda a mesma posição.

          Muitas vezes, esses escribas colocam sua pena a cargo de loucuras, e nem de fato acreditam nelas. É a história de propagar o bem, mas na hora de praticá-lo a coisa muda. Tipo defender o outro mas na hora em que se é surrupiado deseja que o outro seja feliz com o que levou, mas não consegue esconder nas suas palavras a raiva por aquilo que viveu. Não é fácil ser bom e nem mesmo isento, no mundo de hoje.

          A busca por espaços na internet distorce os fatos.

          Dar receitas para males é um ato que deveria ser combatido pela lei de exercício de falsa medicina. Certos gurus, de uma certa forma, vendem receitas que não garantem a cura correta e também é um tipo de falsa medicação. Louco isso, não é?

          Como vamos fazer incentivos às loucuras se não sabemos quem é o outro que vai ler e tentar implementar isso? Fica parecendo aqueles jogos suicidas que pegam os incautos e o responsável nunca aparece.

          Loucuras fazemos quando procuramos a solução para os nossos problemas nas mãos de “especialistas” escondidos no limbo da internet, e às vezes por trás de nomes famosos e consagrados. O que seria loucura maior do que procurar as nossas soluções em palavras muito bem organizadas e bordadas como fetiches infalíveis?

          Tenho em mim, que aquele que fala muito em Deus não deve ter tanta fé assim, e também aquele que fala tanto de corrupção tenha uma aura de honestidade.

          Lobos, diriam alguns, que ficam à espreita dos incautos e também buscadores de felicidades e soluções fáceis. Não acham que sejam lobos, porque lobos têm um certo carisma, um magnetismo próprio e devem estar pouco se importando com o que você acha, e nem mesmo são acessíveis a conselhos.

          Prefiro dizer hienas porque devem rir às escondidas dos falsos choros e palavras de incentivos… loucos.