Adultização ou infantilização: meus personagens de 2025

Crônica da semana, por Nilson Lattari
Adultização é uma palavra inventada que serviu para que um Influencer promovesse uma devassa nas redes sociais e as relações de alguns Influencers com menores de idade.
O tema tomou um vulto enorme, inclusive demandando ao Congresso uma regulamentação sobre o assunto – nada mais justo, porém.
Afinal, já há algum tempo, as redes têm feito “vista grossa” sobre alguns aspectos morais, digamos assim, com o argumento de que os algoritmos não alcançam a raiz do problema; o que faz com que o distinto público se assanhe e promova uma discussão.
Explode, um pouco depois, o escândalo envolvendo uma figura americana, uma ilha e várias celebridades do mundo político, artístico e intelectual, envolvendo figuras acima de qualquer suspeita.
Ex e atual presidentes da mais poderosa nação do mundo, inclusive, o que nos leva a pensar que o poder do dinheiro não é o topo do mundo, a busca é por algo mais além: o poder sobre outros, principalmente mulheres indefesas.
Adultizar seria tratar como adultos os ainda menores de idade, indivíduos que ainda não chegaram à fase adulta, e também não vivem ou viveram a infância ou a juventude em sua plenitude e prazer.
Adultizar é matar o outro na sua essência, mostrando um lado da vida ainda cedo para tocar e experimentar. E esses toques e experimentos são os mais desprezíveis.
A tão falada adultização, no entanto, não é o fator que escandaliza. Porque, do outro lado, temos a infantilização, quando adultos agem como crianças e se imaginam em uma grande sala de brinquedos, onde o bullying funciona livremente e o dono pedaço manda e desmanda em todos.
Eles organizam a brincadeira até o momento em que ela não jogue mais a seu favor.
Temos aí a virada do jogo, do salve-se quem puder ou manda quem é o mais forte.
As mesmas celebridades políticas, quando em posição de governo, optaram pela infantilização do mundo.
Cuidam e lidam com ele como se estivessem no seu playground preferido.
Lidam com as armas como se elas não fossem capazes de matar e espoliar os povos, brincam de esconde-esconde, gato e rato, onde os bandidos e os mocinhos se enfrentam.
Claro que os mais poderosos são os mocinhos e os outros são os bandidos e, no caso, não importam a moralidade ou os valores, porque os mocinhos ditam o que é bom ou mau para o mundo.
Machado de Assis disse, com bastante propriedade, que os adultos são as crianças do amanhã.
E vemos, diuturnamente, personagens do mundo artístico, político ou intelectual defendendo teses totalmente absurdas que geram mais confusão mental naqueles que tentam seguir algum caminho.
A maneira deselegante com que tratam os seres comuns da sociedade beira a falta de educação. Influencers brigam e discutem no YouTube como se fosse normal falar bobagens ou argumentar como crianças mimadas, privadas dos seus brinquedos favoritos; desde crianças nos acostumamos a tirar os brinquedos favoritos dos outros.
Entre a adultização e a infantilização deixemos a primeira a cargo da polícia e dos órgãos competentes.
Quanto à infantilização, desde que o eleitor não se sinta confortável na classe, farto das baboseiras da turma do fundão, cabe a ele, e tão somente a ele, não se identificar e colocar adultos na sala para discutir os problemas do mundo.


Você precisa fazer login para comentar.