Câmara homenageia ex-vereadoras e lideranças femininas pelo Dia Internacional da Mulher

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma sessão especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

O encontro reuniu vereadoras, autoridades, ex-parlamentares e convidadas para refletir sobre os avanços, desafios e a importância da participação feminina na política e na sociedade.

A sessão foi aberta pela vereadora Gabriela Garrido (PV), que destacou o apagamento histórico da participação feminina na construção da sociedade. Em um discurso marcado por reflexão e crítica social, ela lembrou que muitas mulheres tiveram suas histórias invisibilizadas ao longo do tempo.

“Há mulheres cujos nomes não constam de nenhum livro, de nenhuma placa, de nenhum verbete. Mulheres que sustentaram famílias com as próprias mãos enquanto suas mãos não tinham direito algum. Que cultivaram a terra, bordaram, cozinharam, pariram, enterraram — e fizeram tudo isso sem que ninguém a isso chamasse trabalho, porque não havia salário, e sem que ninguém a isso chamasse coragem, porque não havia escolha”.

A vereadora também ressaltou que a democracia não se consolida enquanto houver violência contra mulheres e enquanto direitos previstos na Constituição não forem plenamente garantidos. “A Constituição não é retórica — é uma lei que deve ser cumprida, e cumpri-la exige que a sociedade mude, não apenas que as leis se multipliquem”, afirmou.

Discursos destacam desafios e políticas públicas – Durante a sessão, a vereadora Cris Rocha destacou a importância de transformar discursos em ações concretas em defesa das mulheres de Vitória da Conquista. Ela abordou temas como desigualdade salarial, violência, falta de creches e dificuldades no acesso à saúde.

Cris também reconheceu o legado da ex-vereadora Lúcia Rocha e defendeu o fortalecimento da participação feminina na política. “Este não pode ser um discurso vazio de constatação; precisa ser um discurso de proposição, com políticas públicas que garantam saúde, educação, segurança, respeito e oportunidades reais para as mulheres”.

A vereadora Léia Meira (PSD) relembrou sua atuação na criação da primeira bancada feminina da Câmara Municipal e destacou a importância da união das mulheres no Legislativo. “Tive a honra de ser a primeira líder da bancada feminina desta Casa, um espaço criado para fortalecer a presença e a voz das mulheres no Parlamento. Hoje sigo contribuindo como vice-líder, trabalhando para ampliar o diálogo e a representatividade feminina”.

Já a vereadora Márcia Viviane (PT) chamou atenção para os altos índices de violência contra mulheres no país e afirmou que, apesar dos avanços legais, ainda há muito a ser feito. “Estar viva é um ato de resistência”.

Ela também destacou a sobrecarga enfrentada pelas mulheres no cotidiano e a necessidade de dividir responsabilidades dentro de casa. “A gente precisa ter homens mais funcionais nos nossos lares, sejam os esposos, os filhos. Não podemos naturalizar o machismo e o patriarcado que estão embutidos na sociedade”.

Reflexões sobre direitos e liberdade – Em sua fala, a vereadora Lara Fernandes trouxe reflexões sobre a realidade de mulheres que vivem sob regimes opressores. Ela citou exemplos do Afeganistão e do Irã após a Revolução Iraniana de 1979, destacando restrições impostas às mulheres nesses contextos. “Mas a luz resiste. Na sombra, mulheres escondem livros; na escuridão, escrevem poesia; na prisão, costuram esperança nas dobras do véu”. A vereadora concluiu afirmando que o silêncio diante das injustiças fortalece a opressão e que é preciso coragem para denunciá-la.

Violência de gênero e machismo estrutural – A psicóloga Andréa Gonçalves, convidada a falar na tribuna, destacou que a violência contra a mulher muitas vezes começa com atitudes aparentemente pequenas, mas que refletem um problema estrutural na sociedade. “A violência doméstica não começa com o feminicídio ou com a agressão física. Ela começa em atitudes sutis de desrespeito, quando a mulher é julgada pela roupa que veste, pela forma como fala ou quando precisa elevar a voz para ser respeitada”.

Representação do Executivo municipal – Representando a prefeita Sheila Lemos, a secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Viviane Ferreira, destacou a importância da união das mulheres na defesa de direitos, independentemente de posicionamentos políticos.

Ela também lembrou o marco histórico da eleição de Sheila Lemos como primeira mulher a governar o município. “Não importa se de direita ou se de esquerda, nós estamos aqui para defender uma única pauta, a pauta das mulheres”. Segundo ela, o principal desafio ainda é garantir o direito à vida e fortalecer o enfrentamento à violência contra a mulher.

Trajetórias que abriram caminhos – A sessão também homenageou ex-vereadoras que marcaram a história política do município. A ex-parlamentar Lígia Matos, que atuou entre 2000 e 2008, relembrou a mobilização que incentivou mais mulheres a participarem da política naquele período.

“Nós começamos a mudar a cabeça de muitas mulheres, de que nós precisávamos estar na política também, porque o nosso olhar é diferente e o nosso mandato também poderia ser diferente”.

Uma das homenageadas da sessão, Lúcia Rocha relembrou sua trajetória na Câmara e destacou os desafios enfrentados quando a presença feminina na política ainda era muito reduzida. “Durante muitos anos, a presença feminina na política era muito pequena e, em diversos momentos, fui a única mulher ocupando uma cadeira nesta Câmara”. Para ela, ver mais mulheres ocupando espaços de poder representa um avanço importante.

Também homenageada, a ex-vereadora Nildma Ribeiro defendeu a paridade de gênero nas casas legislativas e afirmou que o combate ao feminicídio deve ser uma pauta permanente. “O feminicídio é uma questão de saúde pública que diz respeito a toda a sociedade. Estamos aqui por cada uma dessas mulheres que foram ceifadas e pelas famílias que até hoje lutam por justiça”.

A sessão reforçou a importância da luta por igualdade de direitos, do enfrentamento à violência de gênero e da ampliação da participação feminina nos espaços de decisão política.

Por Andréa Póvoas, Camila Brito e Samara Dias – Texto e fotos: Ascom Câmara.