Crescimento de mamoplastia no Brasil reacende debate: beleza, segurança e retirada de implantes

Texto e imagem: Andrea Persona. UniFG

Crescimento de mamoplastia no Brasil reacende debate sobre padrões de beleza, segurança e retirada de implantes

Mastologista explica riscos, avanços na segurança dos implantes e o crescimento da explantação entre mulheres brasileiras

De forma geral, o termo mamoplastia é utilizado para designar cirurgias realizadas nas mamas, podendo incluir procedimentos de aumento, redução, reconstrução ou correção de flacidez.

No entanto, entre as intervenções estéticas, a mamoplastia de aumento é uma das mais populares.

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica indicam que cerca de 200 mil brasileiras colocam próteses mamárias todos os anos.

A maioria das pacientes está na faixa etária entre 18 e 34 anos, geralmente motivada pelo desejo de aumentar o volume das mamas ou corrigir assimetrias.

Outro grupo importante é formado por mulheres que passam por reconstrução mamária após tratamento de câncer de mama, procedimento que também pode envolver implantes.

“O debate em torno das próteses mamárias mostra que, além da estética, o tema envolve questões de saúde, informação e autonomia.

Para especialistas, o mais importante é que a decisão seja tomada de forma consciente e com orientação médica adequada”, reforça Marina Cambuy, mastologista e professora de Medicina do Centro Universitário UniFG Bahia, cujo curso é integrante da Inspirali, Ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.


Riscos e possíveis complicações

Como qualquer cirurgia, o implante mamário também apresenta riscos.

Entre as possíveis complicações estão infecções, contratura capsular, que é o endurecimento ao redor da prótese, deslocamento do implante e, em casos mais raros, ruptura da prótese.

Segundo Marina Cambuy, a avaliação médica detalhada e o acompanhamento após o procedimento são fundamentais para reduzir possíveis intercorrências.

“Toda cirurgia envolve riscos, por isso é essencial que a paciente passe por uma avaliação criteriosa e compreenda cada etapa do processo.

O acompanhamento após o implante também é indispensável para monitorar a adaptação do organismo e identificar precocemente qualquer alteração”, explica.

Síndrome ASIA


Entre as complicações decorrentes do implante mamário está a Síndrome ASIA, sigla em inglês para síndrome autoimune induzida por adjuvantes, condição na qual o silicone das próteses mamárias pode atuar como um adjuvante no organismo.


Apesar de ser uma condição muito rara, o silicone tem sido considerado uma das substâncias capazes de desencadear reações imunológicas e manifestações semelhantes às de algumas doenças reumáticas.

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga crônica, dores articulares e musculares, boca e olhos secos, além de algumas manifestações neurológicas.

De acordo com a especialista, é importante que o tema seja discutido com responsabilidade e baseado em evidências científicas.

“A Síndrome ASIA ainda é considerada uma condição rara e a relação direta com próteses mamárias permanece em investigação.

Por isso, é fundamental evitar alarmismos e orientar as pacientes com base em dados científicos e acompanhamento médico”, destaca Marina Cambuy.

Crescimento da retirada de próteses


Nos últimos anos, movimentos nas redes sociais e entre pacientes têm incentivado uma reflexão maior sobre autonomia corporal e escolhas conscientes.

Paralelamente ao aumento das cirurgias, cresce também o número de mulheres que optam pela retirada dos implantes, procedimento conhecido como explantação.

Dados indicam que o número de explantes vem aumentando gradualmente no Brasil.

Para Marina Cambuy, essa tendência está relacionada a mudanças na forma como as mulheres se relacionam com o próprio corpo.

“Muitas pacientes estão buscando decisões mais alinhadas ao seu momento de vida e à sua percepção de bem-estar.

A retirada da prótese pode acontecer por diferentes motivos, desde desconforto físico até uma mudança na preferência estética”, afirma.

Avanços nas técnicas e segurança


Apesar das discussões, especialistas destacam que houve avanços importantes nas técnicas cirúrgicas e na segurança dos implantes.

Atualmente, as próteses passam por processos rigorosos de controle de qualidade, e as técnicas cirúrgicas evoluíram para reduzir riscos e melhorar os resultados estéticos.


“O planejamento pré-operatório é uma das etapas mais importantes.

A escolha do tipo de prótese, do volume e da técnica cirúrgica precisa ser individualizada para cada paciente.

Hoje temos recursos que permitem procedimentos mais seguros e resultados mais naturais”, ressalta Marina Cambuy.

Reconstrução mamária


A reconstrução da mama, nos casos de câncer, é um procedimento que busca restaurar a forma, o volume e a simetria do seio utilizando técnicas avançadas.

A cirurgia pode ser realizada de forma imediata, no mesmo momento da retirada do tumor, ou de forma tardia, em um segundo momento.

As opções variam e incluem o uso de implantes de silicone ou a utilização de tecidos da própria paciente.

Segundo a mastologista, além da dimensão física, o procedimento tem impacto importante na recuperação emocional das pacientes.

“A reconstrução mamária representa, para muitas mulheres, uma etapa fundamental no processo de recuperação após o câncer de mama.

Não se trata apenas de restaurar a forma do seio, mas também de contribuir para a autoestima, a identidade corporal e a qualidade de vida”, conclui.