Curadoria humana: última fronteira contra deepfakes e desinformação

Curadoria humana é a última fronteira contra deepfakes e desinformação nas eleições, alerta especialista.
Professor em Inteligência Artificial da UniCesumar alerta que evolução das tecnologias de manipulação, aliado a verificação de fatos e a educação midiática se tornam ferramentas essenciais para a defesa do processo democrático.
Em um cenário onde a inteligência artificial (IA) avança a passos largos, a integridade da informação durante os ciclos eleitorais enfrenta uma ameaça.
A sofisticação de deepfakes e campanhas de desinformação exige que a curadoria humana se posicione como a última e mais crucial barreira de defesa da democracia.
O debate foca na necessidade de um contraponto ético rigoroso e na auditoria constante de algoritmos para combater o viés que pode distorcer a percepção pública.
A tecnologia de deepfake, que utiliza IA para criar ou alterar conteúdos de forma hiper-realista, já atingiu um nível de sofisticação preocupante.
“Embora alguns conteúdos pareçam verossímeis à primeira vista, ainda é possível identificar falhas.
Mesmo assim, o impacto potencial nas próximas eleições é grande, sobretudo em um país que vive forte polarização política.
Conteúdos manipulados podem circular rapidamente e influenciar percepções antes de qualquer checagem”, afirma Raul El Greco, professor do curso Inteligência Artificial e Machine Learning da UniCesumar.
O uso estratégico da inteligência artificial em campanhas vai além da manipulação de imagens.
A geração automática de textos, a criação de perfis falsos (bots) para simular apoio popular e o microdirecionamento de mensagens para segmentos específicos do eleitorado são táticas que tornam a desinformação mais escalável e persuasiva.
“A desinformação deixa de ser algo improvisado e passa a ser mais estratégica, exigindo maior atenção das plataformas, das instituições e dos próprios cidadãos”, complementa El Greco.
Segundo o relatório ‘Identity Fraud Report 2025-2026’, realizado pela Sumsubs, os ataques com essa tecnologia cresceram 126% no Brasil em 2025.
Para agravar o quadro, durante o segundo turno das eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a receber mais de 500 alertas diários de fake news, e o volume total de denúncias cresceu 1.671% em comparação com 2020.
A percepção do risco é alta: para 81% da população, a desinformação pode afetar significativamente o resultado de uma eleição, de acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, realizada em 2024.
A resposta: curadoria, ética e educação
O trabalho de checadores de fatos e curadores de conteúdo é essencial, mas enfrenta o desafio da velocidade e do volume com que o conteúdo falso é gerado.
“Não é exatamente uma batalha justa.
A produção de conteúdo falso pode acontecer em grande escala, enquanto a verificação exige tempo e análise”, explica o professor da UniCesumar.
Para o especialista, o principal guardião do contraponto ético deve ser o próprio eleitor.
“As campanhas visam vencer a disputa, e as plataformas lidam com um volume de conteúdo impossível de moderar perfeitamente.
O elemento mais decisivo acaba sendo o eleitor consciente, capaz de questionar, verificar e refletir.
Pensando no longo prazo, um caminho promissor seria investir em educação midiática e computacional nas escolas, de forma técnica e sem viés ideológico”.
Além da educação, a legislação precisa ser aplicada com mais rigor. “As leis para lidar com calúnia, difamação e injúria já existem.
Talvez o caminho mais efetivo seja aumentar a celeridade jurídica e aplicar punições severas a quem financia e difunde campanhas organizadas de desinformação.
Em eleições, não há ‘lado bom’ na produção deliberada de notícias falsas: ambos os lados degradam o processo democrático”.
Diante da proximidade das eleições, o professor El Greco sugere uma ação imediata:
“É crucial divulgar amplamente que as pessoas podem e devem apontar conteúdos suspeitos diretamente nas plataformas ou em canais de denúncia, priorizando a verdade acima das preferências políticas”.
Sobre a UniCesumar
Com 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de mais de 500 mil alunos.
Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça).
No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR).
Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com mais de 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado.
Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.


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