“Estamos em ano eleitoral e o marido da prefeita é pré-candidato a deputado”

Texto e foto Ascom Câmara. Por Camila Brito

Leia de Quinho vota contra criação de cargos.

Na manhã desta quarta-feira, 29, a vereadora Leia de Quinho (PSD), utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista para declarar seu voto contrário ao pacote de projetos do Executivo que propõe uma reforma administrativa em Vitória da Conquista.

A parlamentar demonstrou preocupação com o aumento de despesas em um momento de carência em serviços básicos e levantou questionamentos sobre o contexto político da medida.

A vereadora detalhou o crescimento da estrutura em pastas estratégicas, reforçando que o impacto financeiro de 74 novos cargos comissionados precisa de justificativas sólidas que, segundo ela, não foram apresentadas. “A Secretaria de Serviços Públicos saiu de 8 para 21 cargos.

Gestão e Inovação vai de 19 para 46. No total, nessas estruturas, saímos de 90 para 164 cargos. Será que essa mudança é realmente para atender a população de Conquista?”, questionou a parlamentar.

Para Leia, os recursos que serão destinados à folha de pagamento desses novos comissionados deveriam ter como destino áreas que “padecem” por falta de investimento.

Ela citou nominalmente a situação crítica da zona rural e da rede municipal de saúde. “Zona Rural: Sofrendo com a severa falta de água; Postos de saúde na sede e no campo necessitando urgentemente de reparos ou novas construções; Necessidade de atendimento básico com o mínimo de respeito ao cidadão”.

Um dos pontos mais enfáticos do discurso da vereadora foi a associação da criação de cargos ao cenário político-eleitoral de 2026.

Leia de Quinho sugeriu que a medida pode ter motivações particulares em detrimento do interesse público.

“Nós estamos em um ano eleitoral, onde o marido da prefeita é pré-candidato a deputado estadual. Qualquer ampliação de cargos comissionados gera questionamentos legítimos que esta Casa não pode desconsiderar”, alertou.

Ao encerrar sua fala, a vereadora reafirmou que o papel do Legislativo é fiscalizar e ponderar cada decisão. Ela defendeu que a prioridade de Vitória da Conquista deve ser o investimento direto na vida das pessoas, e não o inchaço da máquina pública.

“Não consigo enxergar nesse momento que esse aumento de cargos seja prioridade. Por isso, de forma consciente e coerente com o meu mandato, o meu voto será contrário”, finalizou.