Roda de Conversa discutiu os desafios e as potencialidades do autismo na vida adulta

O evento reuniu especialistas e comunidade para desmistificar a “ilusão da funcionalidade”, debater o diagnóstico tardio e a necessidade de suporte além da infância.
Aconteceu no auditório principal do IFBA, Campus Vitória da Conquista, a 3ª edição da Roda de Conversa sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com o tema “Desafiando Estereótipos: Autismo, Funcionalidade e Necessidade de Suporte na Vida Adulta”.
O objetivo do evento foi dar visibilidade e trazer o debate para uma fase da vida muitas vezes ignorada nas discussões sobre neurodiversidade¹: a fase adulta, já que a maioria dos debates ainda está centrada na infância e na adolescência.
A noite começou com a exibição de um vídeo apresentando pessoas autistas que ocupam diferentes esferas da sociedade, de juízes e médicos a atletas e artistas, reforçando a vastidão do espectro e mostrando que a neurodivergência² não impede o exercício de nenhuma profissão, embora demande suportes específicos.
A mesa, composta majoritariamente por mulheres autistas, foi mediada pela professora de educação especial do campus, Me. Alessandra Souza Silva.
O debate contou com as contribuições técnicas e pessoais da neuropsicóloga Gabriela Mol, da advogada e historiadora Iara Silva dos Santos e da terapeuta ocupacional Ellen Ramos.
Um dos eixos centrais da conversa foi a desconstrução da “ilusão da funcionalidade”.
As convidadas discutiram como autistas com boa performance acadêmica ou profissional muitas vezes sofrem com o esgotamento invisível, o chamado masking ³(mascaramento).
O público pôde entender o desgaste emocional e físico de tentar “parecer neurotípico” para ser socialmente aceitável.
Outro assunto abordado foi a importância de combater a “presunção de incapacidade” em indivíduos com maiores necessidades de suporte.
A professora Me. Alessandra Silva reforçou a necessidade de um olhar atento para o pessoa autista em diferentes fases da vida: “Considero que este evento foi muito importante para o IFBA e para a comunidade por dar visibilidade ao autismo na vida adulta, um tema ainda tão pouco discutido, como se pessoas autistas não crescessem.
Buscamos abrir espaço para a escuta de vivências reais, rompendo estereótipos, mostrando que desempenho não elimina a necessidade de suporte, assim como a necessidade de apoio não define limites de potencial.
Espero que este seja o primeiro de muitos encontros, ampliando e aprofundando essa discussão tão necessária“, afirmou.
¹neurodiversidade – Conceito que reconhece a variedade natural das configurações neurológicas humanas, tratando diferenças cognitivas (como autismo, TDAH, dislexia) não como doenças, mas como variações normais.
²neurodivergente – Pessoas cujo funcionamento cerebral difere do padrão típico ou normal Não é uma doença, mas uma variação neurológica natural que inclui condições como autismo, TDAH, dislexia, entre outras
³masking – Conjunto de estratégias usadas por pessoas no Espectro Autista (TEA) para “mascarar” comportamentos autistas, parecendo neurotípicas para evitar estigmas ou rejeição.
neurotípico – Pessoas com desenvolvimento neurológico e funcionalidade cognitiva dentro da média populacional, sem alterações como autismo, TDAH ou dislexia


Você precisa fazer login para comentar.