Na Bahia, bullying e agressão sexual aumentam entre adolescentes

Na Bahia, de 2019 a 2024, uso de álcool e drogas cai, mas o de cigarro eletrônico duplica e bullying e agressão sexual aumentam entre adolescentes.
** Entre 2019 e 2024, a proporção de adolescentes que sofreram bullying na escola cresceu na Bahia e em Salvador, indo a quase 4 em cada 10. O aumento baiano (+3,6 pontos percentuais) foi o 4º maior entre os estados;
** Proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram bebida alcoólica caiu entre 2019 e 2024, mas ainda era pouco mais da metade na Bahia (51,6%) e 6 em cada 10 em Salvador (57,8%), 4º maior percentual entre as capitais;
** Uso de cigarro convencional cai, mas proporção de adolescentes que experimentaram cigarro eletrônico mais que dobra em 5 anos e chega a 21,2% (1 em cada 5), na Bahia, em 2024;
** Com queda frente a 2019, a Bahia se manteve, em 2024, como o estado com a menor proporção de adolescentes que experimentaram drogas ilícitas (4,3%);
** Em 2024, menos adolescentes já haviam tido relação sexual na Bahia (30,8%) e em Salvador (31,3%), mas iniciação precoce, antes dos 13 anos, aumentou no estado e na capital;
** Entre 2019 e 2024, proporção de escolares que já haviam sido forçados/as a fazer sexo cresceu na Bahia e em Salvador, chegando a 8,6% e 8,7%, respectivamente; 1/3 dos agressores era da família;
** Atividade física avança entre 2019 e 2024, e 3 em cada 10 adolescentes baianos são fisicamente ativos (28,1%), ainda que 4 em cada 10 (40,7%) fiquem mais de 3 horas por dia sedentários em frente a telas;
** Principais indicadores de saúde mental para adolescentes baianos não evoluem entre 2019 de 2024, quando 3 em cada 10 disseram ter tido vontade de se machucar de propósito. Proporção de mulheres afetadas é muito maior que a de homens;
** Esses são alguns dos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação.
Ela investiga 19 temas, sendo 13 diretamente com os escolares, que responderam aos questionários sozinhos, sem intermediação de entrevistadores, e 6 com as direções das escolas integrantes da amostra.
Saiba um pouco mais sobre essa pesquisa
A adolescência é uma fase de grandes transformações, descobertas, crescimento e desafios. Tanto para quem passa por ela quanto para quem a acompanha, sobretudo famílias e educadoras/es. É também o momento em que começam a ser construídos comportamentos e hábitos ligados a saúde e estilo de vida que terão impactos na vida adulta e na velhice, ou seja, nas próximas gerações.
Por isso conhecer a fundo os adolescentes é fundamental. E é justamente esse o objetivo da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE).
Realizada desde 2009 pelo IBGE, a PeNSE visitou, em 2024, 4.278 escolas públicas e privadas em todo o país, 192 delas na Bahia, entrevistando 150.385 estudantes brasileiros de 13 a 17 anos de idade, 6.758 deles baianos. As escolas são o melhor local para “conversar” com os adolescentes, pois é lá que estão, em média, pouco mais de 90% das pessoas nessa faixa etária.
Na Bahia, metade dos estudantes de 13 a 17 anos são mulheres, 1 em cada 4 é preto/a e quase 9 em cada 10 estão na rede pública de ensino
Em 2024, a Bahia era o terceiro estado do Brasil com o maior número de estudantes entre 13 e 17 anos: 846.928 pessoas, ficando abaixo apenas de São Paulo (2.761.053 estudantes) e Minas Gerais (1.208.159).
Entre 2019 e 2024, o perfil dos escolares baianos se manteve bem parecido. As mulheres seguiram maioria, representando 52,1% do total (441.211), frente a 47,9% de homens (405.716). A Bahia também continuou com a maior proporção de escolares pretos (25,7% ou 1 em cada 4) e a menor de brancos (18,2%), entre os estados. Quase metade dos escolares baianos eram pardos (49,7%), enquanto os amarelos (3,1%) e indígenas (3,2%) eram os menos representativos.
Quase 9 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos, na Bahia, frequentavam escolas da rede pública (85,5% do total, ou 724.128).
Salvador, por sua vez, tinha 126.15 estudantes de 13 a 17 anos, o 6º maior total entre as capitais. Em 2024, as mulheres deixaram de ser maioria entre os escolares soteropolitanos, passando a representar 49,3% (frente a 51,0% em 2019), enquanto os homens ganharam participação, representando 50,7% (63.958). Salvador também continuou sendo a capital com maior proporção de escolares pretos (30,0%) e a menor de brancos (19,4%). Os pardos seguem predominantes (44,9%), e os amarelos (3,3%) e indígenas (2,1%) são os menos representativos.
A proporção de estudantes de 13 a 17 anos em escolas públicas é um pouco menor em Salvador do que no estado (69,8% ou 88.080).
Entre 2019 e 2024, proporção de adolescentes que sofreram bullying na escola cresceu na Bahia e em Salvador, indo a quase 4 em cada 10
Na Bahia, em 2024, 4 em cada 10 adolescentes de 13 a 17 anos disseram ter sofrido bullying na escola (sentiram-se humilhados por provocações de colegas) pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores à entrevista da PeNSE: 37,7%, que representam 319.292 pessoas.
A proporção de adolescentes vítimas de bullying na escola cresceu no estado. Em 2019, 34,1% enfrentavam esse tipo de problema. Entre 2019 e 2024, a proporção de escolares que sofreram bullying também teve variação positiva no Brasil como um todo (de 39,1% para 39,8%) e aumentou em 19 dos 27 estados.
O crescimento na Bahia, em pontos percentuais (+3,6), foi o 4º maior, abaixo apenas dos verificados em Roraima (+6,3 pontos percentuais), Amazonas (+5,6) e Rio de Janeiro (+4,7). Com isso, o estado deixou de ter a menor proporção de adolescentes vítimas de bullying na escola e passou a ter a 4ª menor (ou 24ª), acima de Rio Grande do Norte (36,1%), Pará (37,0%) e Santa Catarina (37,6%). Amazonas (43,7%), Amapá (43,0%) e Roraima (42,3%) tinham, em 2024, as maiores proporções de escolares que afirmaram ter sofrido bullying.
Em Salvador, o bullying também cresceu entre os escolares. Em 2019 havia sido relatado por 35,6% dos estudantes de 13 a 17 anos; em 2024, por 38,3%. Com isso, a cidade também subiu no ranking de capitais com maior ocorrência de bullying, do 4º menor percentual (ou 24ª posição), para o 6º menor (ou 22ª posição). Em 2024, Macapá/AP (46,0%), Teresina/PI (46,0%) e Manaus/AM (45,0%) tinham as maiores proporções de adolescentes que haviam sofrido bullying na escola; e Natal/RN (34,2%), Porto Alegre/RS (35,4%) e Florianópolis/SC (36,3%), os menores.
Na Bahia, em Salvador e no Brasil, em 2024, as escolares mulheres continuaram sendo, proporcionalmente, mais vítimas de bullying do que os homens. No estado, 39,7% das moças relataram ter enfrentado esse problema; entre os rapazes a proporção foi de 35,4%. Na capital baiana, as proporções foram, respectivamente, de 42,4% e 34,4%; enquanto no país como um todo, 43,0% das moças e 36,7% dos rapazes sofreram bullying na escola.
A ocorrência de bullying também seguiu maior entre os estudantes da rede privada. Na Bahia, 40,2% dos adolescentes de escolas particulares disseram ter sofrido bullying recentemente, frente a 37,2% na rede pública. Em Salvador, a diferença era ainda mais expressiva, e as proporções ficavam em 41,7% e 36,9%, respectivamente. No Brasil como um todo, os percentuais foram, respectivamente, 39,7% e 40,7%.
A aparência da vítima se manteve como principal causa de humilhação e teve crescimento significativo frente a 2019. Na Bahia, 32,0% dos escolares que sofreram bullying indicaram como motivo a aparência do rosto/ cabelo (frente a 10,7% em 2019); e 26,0%, a do corpo (frente a 15,6% em 2019).
Em Salvador, 31,3% indicaram a aparência do rosto/cabelo (11,4% em 2019); e 25,2%, a do corpo (19,0% em 2019). No Brasil, 30,4% das vítimas de bullying indicaram a aparência do rosto/cabelo como causa (11,6% em 2019), e 24,7%, a do corpo (16,5% em 2019).
Proporção de adolescentes baianos que já experimentaram bebida alcoólica cai frente a 2019 (quando era 60,6%), mas ainda é mais da metade (51,6%)
Entre 2019 e 2024, a experimentação de álcool diminuiu entre os estudantes de 13 a 17 anos na Bahia, no Brasil e em Salvador.
Em 2024, pouco mais da metade dos escolares da Bahia já tinham experimentado bebida alcoólica alguma vez na vida (51,6%). Cinco anos antes, a proporção era de 60,6%. Nacionalmente, a proporção de adolescentes que havia experimentado bebidas alcoólicas também recuou, de 63,3% para 53,6%.
A Bahia manteve uma percentagem menor do que a nacional e a 15ª posição entre os estados. Rio Grande do Sul (65,9%), Santa Catarina (62,8%) e Paraná (57,7%) tinham as maiores proporções de escolares que já experimentaram álcool. Amapá (42,6%), Piauí (43,1%) e Maranhão (43,4%), as menores.
Em Salvador, houve uma importante queda na proporção de adolescentes que já haviam experimentado bebida alcoólica: de 68,2% em 2019 para 57,8% em 2024. Ainda assim, a cidade subiu no ranking das capitais, ficando com a 4ª mais alta percentagem (era a 8ª em 2019), abaixo apenas das registradas em Porto Alegre/RS (63,1%), Florianópolis/SC (62,7%) e Belo Horizonte/MG (62,5%).
A proporção de escolares mulheres que já haviam experimentaram bebida alcoólica segue superior à de homens. Na Bahia, 55,3% das moças e 47,6% dos rapazes já haviam bebido alguma vez; no Brasil, os percentuais eram 57,5% e 49,7%; já em Salvador, iam a 62,9% e 52,8%, respectivamente.
A experimentação de álcool também era mais frequente entre os adolescentes que estudavam em escolas públicas. No estado, 52,0% dos estudantes da rede pública já haviam bebido álcool, frente a 49,5% na rede privada. No país, as proporções eram de 53,9% e 51,8%; na capital baiana, ficavam em 60,0% e 52,6%.
Em 5 anos, proporção de adolescentes que experimentaram cigarro eletrônico mais que dobrou na Bahia e chegou a 21,2% (1 em cada 5)
Entre 2019 e 2024, na Bahia, houve uma discreta variação negativa na proporção de estudantes de 13 a 17 anos que haviam experimentado cigarro. Porém, no mesmo período, a proporção dos que já haviam fumado cigarro eletrônico (como os vapers/pods) alguma vez mais que dobrou.
Nesses cinco anos, a proporção de estudantes baianos que já haviam fumado cigarro convencional passou de 12,9% para 12,3%. Nacionalmente, também houve queda, de 22,6% para 18,5%. Assim como em 2019, a Bahia manteve, em 2024, o menor percentual, entre os estados, de estudantes que já haviam experimentado cigarro.
Salvador também tinha, entre as capitais, a menor proporção de estudantes que já haviam fumado cigarro. Entre 2019 e 2024, esse percentual caiu de 18,0% para 12,2%.
Se houve queda no uso de cigarro convencional, a proporção de adolescentes de 13 a 17 anos que já haviam utilizado cigarro eletrônico alguma vez na vida mais que dobrou na Bahia, entre 2019 e 2024, indo de 9,6% para 21,2% (2 em cada 10).
O mesmo movimento foi verificado no Brasil como um todo, onde os escolares que já haviam experimentado cigarro eletrônico eram 16,8% em 2019 e passaram a ser 29,6% (3 em cada 10) cinco anos depois.
A experimentação de cigarro eletrônico entre adolescente aumentou em todos os estados. O crescimento na Bahia, em pontos percentuais, foi apenas o 16º, mas suficiente para fazer o estado subir três posições no ranking, da 3ª menor proporção (25ª maior) para a 6ª menor (22ª maior), entre 2019 e 2024.
Mato Grosso do Sul (48,2%), Paraná (44,9%) e Distrito Federal (43,7%) têm as maiores proporções de adolescentes que já experimentaram cigarro eletrônico; Amapá (12,4%), Amazonas (14,7%) e Rio de Janeiro (19,7%), as menores.
Em Salvador, o aumento na proporção de escolares que já usaram cigarro eletrônico foi menor do que no estado como um todo, passando de 14,6%, em 2019, para 17,7% em 2024. Entre as capitais, a cidade tinha, em 2024, o 3º menor índice, empatada com Manaus/AM (17,7%) e acima apenas de Belém/PA (12,5%) e Macapá/AP (12,9%). Brasília/DF (43,7%), Campo Grande/MS (43,5%) e Cuiabá (42,3%) apresentavam os maiores indicadores.
Na Bahia, praticamente não havia diferença no percentual de adolescentes homens e mulheres que já haviam usado cigarro eletrônico (21,4% e 21,0%, respectivamente). A experimentação foi muito mais informada por estudantes da rede pública (22,2%) do que da rede particular (15,2%).
Nacionalmente, as mulheres (31,7%) experimentaram mais que os homens (27,4%), o que também foi mais frequente nas escolas públicas (30,4% frente a 24,9% nas particulares). Já em Salvador, o uso do cigarro eletrônico foi um pouco mais frequente entre adolescentes homens (19,2% frente a 16,3% das mulheres) e também na rede pública de ensino (18,9%, frente a 15,1% na rede particular).
Com queda frente a 2019, Bahia manteve, em 2024, a menor proporção de adolescentes que experimentaram drogas ilícitas (4,3%)
Assim como em 2019, em 2024 a Bahia era o estado com a menor proporção de estudantes de 13 a 17 anos que declararam já ter experimentado drogas ilícitas – e o índice caiu de 5,5% para 4,3% nesse período.
Nacionalmente, essa proporção também recuou, de 13,0% para 8,3%. Os estados com as maiores percentagens de escolares que já haviam usado drogas, em 2024, eram Distrito Federal (12,2%), Rio Grande do Sul (11,4%) e Espírito Santo (10,5%).
Em Salvador, a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já tinham experimentado drogas ilícitas caiu de 9,1%, em 2019, para 7,7% em 2024. Ainda assim, a cidade subiu no ranking das capitais, do 2º menor percentual (ou 26º maior) para o 10º menor (ou 18º maior). Os maiores indicadores, em 2024, foram os de Florianópolis/SC (15,6%), Vitória/ES (12,3%) e Brasília/DF (12,2%).
A experimentação de drogas ilícitas é mais frequente entre homens e estudantes da rede pública. Na Bahia, 5,2% dos rapazes e 3,5% das moças já haviam usado alguma vez. Entre os estudantes da rede pública 4,5% já tinham experimentado, frente a 3,5% da rede privada. No Brasil, as proporções eram de 8,4% para os homens e 8,1% para as mulheres; 8,7% na rede pública e 5,7% na rede particular. Em Salvador, por sua vez, ficavam em 9,2% para os homens, 6,2% para mulheres, 9,1% na rede pública e 4,6% na particular.
Em 2024, menos adolescentes já haviam tido relação sexual na Bahia (30,8%) e em Salvador (31,3%), mas iniciação precoce (antes dos 13 anos) aumentou
Em 2024, 30,8% dos estudantes de 13 a 17 anos, na Bahia, já haviam se iniciado sexualmente, ou seja, tido ao menos uma relação sexual. Essa proporção caiu frente a 2019, quando era 35,0% e seguia muito próxima à nacional (30,4%), que também diminuiu em cinco anos (era 35,4% em 2019).
A proporção de adolescentes que já haviam tido relação sexual, na Bahia, era a 13ª entre as 27 unidades da Federação (em 2019 era a 15ª), num ranking liderado por Amazonas (40,6%), Acre (40,5%) e Amapá (38,5%).
Em Salvador também houve, entre 2019 e 2024, um recuo importante na proporção de adolescentes que já haviam se iniciado sexualmente, de 39,9% para 31,3%. Com isso, a cidade deixou de ter o 3º maior percentual entre as capitais e caiu para a 10ª posição, num ranking liderado por Boa Vista/RR (37,1%), Rio Branco/AC (35,1%) e Macapá/AP (34,6%).
A proporção de escolares que já tiveram relação sexual continua bem maior entre os homens e entre aqueles que frequentam a rede pública de ensino.
Na Bahia, 37,1% dos adolescentes homens já tinham se iniciado sexualmente, em 2024, frente a 25,0% das mulheres. Os percentuais eram 33,1% entre estudantes da rede pública e 17,2% na rede privada. No Brasil, 34,1% dos homens e 26,8% das mulheres de 13 a 17 anos já haviam tido alguma relação sexual, percentagens que ficavam em 32,7% e 18,3% nas redes pública e privada, respectivamente. Já em Salvador, as proporções eram 34,6% para homens, 27,9% para mulheres, 36,3% entre escolares da rede pública e 19,9% na rede privada.
Embora a ocorrência de alguma relação sexual na adolescência como um todo tenha diminuído, a iniciação sexual precoce, antes dos 13 anos de idade, aumentou.
Em 2024, 4 em cada 10 escolares baianos que já haviam feito sexo alguma vez na vida tiveram a primeira relação antes dos 13 anos: 41,2%. Em 2019, essa proporção era um pouco menor (39,6%). O percentual de adolescentes com iniciação sexual precoce na Bahia seguiu um pouco maior do que no país como um todo, onde era 36,8% em 2024 (frente a 36,6% em 2019), e foi o 5º mais elevado entre os estados.
A iniciação sexual antes dos 13 anos de idade foi ainda mais frequente em Salvador, informada por 42,5% dos adolescentes que já haviam feito sexo alguma vez. Houve aumento significativo nesse indicador frente a 2019, quando ele era 36,3%. Entre as capitais, Salvador tinha a 4ª maior proporção de iniciação sexual precoce. Manaus/AM (44,7%), Rio de Janeiro/RJ (43,4%) e Boa Vista/RR (42,9%) lideravam.
Na Bahia, proporção de escolares que já haviam sido forçados/as a fazer sexo cresceu e chegou a 8,6% em 2024; 1/3 dos agressores era da família
Enquanto a iniciação sexual na adolescência em geral diminuiu, os relatos de violência sexual contra estudantes de 13 a 17 anos aumentaram.
Em 2024, quase 1 em cada 10 adolescentes na Bahia (8,6%) declarou já ter sido ameaçada/o, intimidada/o e/ou obrigada/o a ter relações sexuais ou a fazer qualquer outro ato sexual contra a sua vontade. Houve alta significativa frente a 2019, quando essa proporção era de 5,1%.
Nacionalmente, também foi registrado um aumento nesse indicador, entre 2019 e 2024, de 6,3% para 8,8%. Todas as 27 unidades da Federação viram esse número crescer, e a alta na Bahia foi a 9ª maior (mais 3,5 pontos percentuais).
Com isso, o estado deixou de ter o 2º menor percentual (ou 26º maior) de adolescentes forçados a algum ato sexual contra sua vontade e passou a ter o 10º menor (ou 18º maior). Os percentuais mais elevados, em 2024, estavam em Amazonas (14,0%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13,0%).
Em Salvador, também houve aumento na proporção de estudantes que declararam ter sido forçados a ter relação ou outro ato sexual, entre 2019 e 2024, de 6,0% para 8,7%. O aumento levou Salvador a deixar de ser a capital com menor proporção de escolares vítimas de violência sexual e a passar a ocupar a 17ª posição, num ranking liderado por Macapá/AP (13,3%), Manaus/AM (12,8%) e Palmas/TO (12,4%).
As mulheres são proporcionalmente muito mais vítimas de violência sexual do que os homens. Na Bahia, 10,2% das escolares do sexo feminino relataram ter sido forçadas a algum ato sexual, em 2024, frente a 6,9% dos rapazes. No Brasil como um todo, as proporções eram 11,7% e 5,8%, e, em Salvador, 10,8% e 6,6% respectivamente.
A ocorrência de violência sexual também é mais relatada por escolares da rede pública do que na rede privada de ensino. No estado, as proporções foram de 9,2% e 5,5%; no país, 9,3% e 5,7%; e, na capital baiana, 10,0% e 5,7%, respectivamente.
Na Bahia, 7 em cada 10 escolares que foram forçados a fazer sexo (70,4%) declararam que isso ocorreu antes dos 13 anos de idade. Esse percentual foi muito próximo em Salvador (71,1%) e, em ambos os casos, aumentaram frente a 2019, quando eram de 56,9% no estado e 55,1% na capital.
Além de a grande maioria dos adolescentes forçados a fazer sexo ter vivido essa violência muito jovem, quase sempre o agressor era alguém conhecido e, segundo 3 em cada 10 vítimas, uma pessoa da família.
Na Bahia, 76,8% dos escolares vítimas de violência sexual disseram ter sido agredidos por alguém conhecido, sendo que 34,2% afirmam que algum familiar foi o agressor (6,8% pai, mãe, padrasto ou madrasta e 27,4%, outra pessoa da família). Em Salvador, 76,2% dos escolares agredidos sexualmente disseram ter sido vítimas de pessoas conhecidas, sendo que 29,6% indicaram familiares como os agressores (7,5% pai, mãe, padrasto ou madrasta, e 22,2%, outro familiar).
Atividade física avança, e 3 em cada 10 adolescentes baianos são ativos, ainda que 4 em cada 10 fiquem mais de 3 horas por dia sentados em frente a telas
Entre 2019 e 2024, a proporção de escolares baianos fisicamente ativos cresceu de 25,4% para 28,1%. Isso significa que 3 em cada 10 adolescentes no estado praticavam pelo menos 300 minutos acumuladas de atividades físicas por semana, fosse no deslocamento entre casa e escola, em aulas de educação física na escola ou em atividades físicas extraescolares.
Nacionalmente, também houve aumento nessa proporção, entre 2019 e 2024, de 28,1% para 30,6%. A Bahia tinha, em 2024, a 13ª maior percentagem de escolares fisicamente ativos, num ranking liderado por Distrito Federal (37,8%), Santa Catarina (36,5%) e Mato Grosso do Sul (35,7%). Em cinco anos, o estado ganhou 7 posições – ficava em 20º lugar em 2019.
A atividade física também avançou entre os escolares de Salvador, com crescimento na proporção daqueles fisicamente ativos de 26,2%, em 2019, para 30,4% em 2024. A cidade fica na 14ª posição entre as capitais, num ranking liderado por Florianópolis/SC (44,5%), Curitiba/PR (39,3%) e Brasília/DF (37,8%), mas subiu 7 posições em cinco anos – ficava em 21º lugar em 2019.
Assim como em 2019, em 2024 havia uma diferença de gênero importante nesse comportamento. Na Bahia, a percentagem de escolares homens fisicamente ativos (36,0%) era quase o dobro da registrada entre as mulheres (20,8%). No Brasil, as proporções eram de 39,8% e 21,4%. Já em Salvador, eram de 38,1% e 22,5%.
Também havia proporcionalmente mais alunos fisicamente ativos na rede privada do que na rede pública. Na Bahia, as percentagens eram de 33,8% e 27,1%; no Brasil, de 38,6% e 29,1%; e em Salvador, de 33,1% e 29,2%, respectivamente.
Além do aumento na proporção de escolares fisicamente ativos, houve diminuição entre aqueles com tempo de comportamento sedentário (em que permanecem sentados, assistindo à televisão, usando celular, computador, tablet, videogame etc.) superior a três horas por dia.
Na Bahia, a percentagem de escolares que passavam mais de três horas diárias sentados em frente a telas caiu de 48,2%, em 2019, para 40,7%, em 2024. No Brasil como um todo, o índice também caiu nesse período, de 53,1% para 44,5%.
A Bahia continuou, em 2024, com a 17ª maior proporção de escolares que ficavam mais 3 horas por dia sentados em frente a telas, num ranking liderado por Distrito Federal (51,0%), São Paulo (50,0%) e Rio de Janeiro (48,9%).
Em Salvador, a proporção de estudantes com comportamento sedentário em frente a telas caiu significativamente, de 58,4%, em 2019, para 49,8% em 2024. Com isso, a cidade passou da 6ª para a 14ª posição no ranking das capitais com maiores percentagens de adolescentes nessa condição, liderado por Florianópolis/SC (55,5%), Porto Alegre/RS (53,7%) e Aracaju/SE (53,2%).
As adolescentes mulheres eram proporcionalmente um pouco mais sedentárias do que os homens. Na Bahia, as percentagens eram de 41,4% e 39,9%, respectivamente; no Brasil, 45,1% e 44,0%; e em Salvador, 53,2% e 46,5%.
A percentagem de estudantes que ficavam mais de três horas diariamente sedentários em frente a telas era bem maior na rede privada do que na rede pública de ensino. Na Bahia, as proporções eram 56,0% e 38,1%; no Brasil, 58,5% e 41,9%; e em Salvador, 58,5% e 46,1%, respectivamente.
Principais indicadores de saúde mental para adolescentes baianos não evoluem entre 2019 de 2024, quando 3 em cada 10 quiseram se machucar de propósito
Em 2024, 15,2% dos estudantes de 13 a 17 anos na Bahia avaliavam negativamente a sua própria saúde mental. Esse percentual caiu um pouco frente a 2019, quando era 16,3%, mas, ainda assim, passou a ficar acima do nacional (14,9%, frente a 17,7% em 2019) e subiu, entre os estados, de 20º para 11º maior.
Mesmo que a avaliação da saúde mental fosse majoritariamente positiva no estado, em 2024 3 em cada 10 escolares baianos afirmavam se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre (29,4%). Essa proporção praticamente não se alterou em cinco anos (era 29,6% em 2019) e passou a ficar um pouco acima da nacional (28,9%, frente a 31,4% em 2019). Também levou a Bahia a subir no ranking estadual para esse indicador, de 23º para 12º maior percentual.
Em Salvador, em 2024, 18,0% dos escolares de 13 a 17 anos avaliavam negativamente sua saúde mental, proporção que também diminuiu um pouco em relação a 2019 (quando era 19,7%) e era apenas a 12ª maior entre as capitais. Ainda assim, 34,4% dos adolescentes soteropolitanos afirmavam sentir-se tristes na maioria das vezes ou sempre, um percentual bem próximo ao de 2019 (34,8%) e o 4º maior entre as capitais, abaixo apenas dos registrados em Fortaleza/CE (37,1%), Macapá/AP (36,5%) e Manaus/AM (34,9%).
Sentir-se triste continua sendo um problema muito mais frequente entre as mulheres. Na Bahia, afetava 4 em cada 10 escolares do sexo feminino (41,9%), muito mais que o dobro do percentual de homens (15,6%). Em Salvador, pouco mais da metade das adolescentes mulheres (50,1%) diziam se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre, frente a 19,0% dos homens. No país como um todo, os percentuais eram 41,0% e 16,7%, respectivamente.
No estado e no país como um todo, não havia diferença marcante no percentual de estudantes que diziam se sentir tristes entre aqueles que frequentavam escolas da rede pública (29,5% na Bahia e 29,2% no Brasil) ou privada (28,7% e 27,2%, respectivamente). Na capital baiana, essa diferença era um pouco maior: 36,3% dos escolares da rede pública se sentiam tristes, frente a 30,0% na rede privada.
Num sentimento ainda mais extremo, em 2024, 2 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos de idade na Bahia sentiam que a vida não valia a pena ser vivida na maioria das vezes ou sempre (19,9%), uma proporção que também teve apenas uma discreta redução frente a 2019 (quando era 21,1%).
O percentual ficava um pouco acima do nacional (18,5%) e também subiu posições no ranking dos estados, de 18º, em 2019, para 11º em 2024.
Em Salvador, a ocorrência frequente ou sempre do sentimento de que a vida não vale a pena ser vivida foi relatada por 23,9% dos estudantes de 13 a 17 anos. Houve ligeira variação negativa frente a 2019 (quando era de 24,2%), mas era o 4º maior entre as capitais, abaixo apenas dos verificados em Manaus/AM (25,0%) Boa Vista/RR (24,4%) e Macapá/AP (24,3%).
Mais uma vez, as mulheres informaram muito mais a sensação de que a vida não valia a pena do que os homens. Na Bahia, os percentuais foram de 27,1% para elas e 12,0% para eles; no Brasil, 25,0% e 12,0%; e, em Salvador, 34,7% e 13,3%.
Para esse indicador, a desigualdade entre estudantes da rede pública e privada é bem significativa também. Na Bahia, 20,8% dos alunos das escolas públicas e 14,2% nas escolas privadas achavam que a vida não valia a pena ser vivida. No Brasil os percentuais eram, respectivamente, 19,4% e 13,9%; e, em Salvador, a diferença era bastante expressiva: 27,0% dos estudantes da rede pública achavam que a vida não valia a pena, frente a 16,8% na rede privada.
Em 2024, a PeNSE investigou pela primeira vez se os escolares tinham sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. Na Bahia, 3 em cada 10 adolescentes disseram ter tido vontade de se machucar (31,9%), um percentual quase idêntico ao nacional (32,0%) e apenas o 20º entre as 27 unidades da Federação (ou 8º menor). Em Salvador, a proporção foi um pouco maior, 35,8%, e a 7ª mais alta entre as capitais.
Como em quase todos os indicadores de saúde mental, a vontade de se machucar de propósito era muito mais relatada pelas mulheres. No estado, 42,5% das adolescentes do sexo feminino disseram ter sentido vontade de se machucar em 2024, frente a 20,3% dos homens; no Brasil como um todo, as proporções foram 43,4% e 20,5%. Em Salvador, quase metade das escolares mulheres disseram ter tido vontade de se machucar (48,5%), frente a 23,5% dos rapazes.
Não houve diferenças importantes entre estudantes de escolas públicas e particulares


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