Professora transforma vidas por meio da educação e do empreendedorismo no Sudoeste da Bahia

Trajetória de Maria José Trindade inspira pelo compromisso com a formação cidadã e o desenvolvimento de sua comunidade
Uma criança que aprende sobre cidadania, um estudante universitário que se torna multiplicador de conhecimento, uma mulher que encontra no próprio negócio um caminho para a autonomia financeira.
Neste Dia do Professor (15), histórias como essas ajudam a revelar o impacto da atuação da professora e contadora Maria José Trindade, que faz da educação uma ferramenta de transformação social em Guanambi e região, no sudoeste baiano.
À frente de iniciativas que aproximam a universidade da comunidade, ela mostra que ensinar pode significar muito mais do que compartilhar conhecimentos em sala de aula: é também abrir caminhos, despertar possibilidades e contribuir para transformar realidades.

Na UniFG Bahia, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, Josi, como é carinhosamente chamada no ambiente acadêmico, coordena o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) e está à frente de projetos que conectam a formação universitária às necessidades da população.
Há 12 anos na docência, ela completará, em fevereiro de 2027, uma década de trajetória na instituição, período marcado pelo compromisso com uma educação que ultrapassa os limites do campus e alcança diferentes públicos.
Um dos exemplos desse trabalho é o Empreendedorismo na Mochila, projeto que leva estudantes da graduação a escolas públicas para compartilhar conhecimentos sobre educação financeira, fiscal e contábil, empreendedorismo e formação cidadã.
A iniciativa alcança alunos do ensino fundamental, do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), ao mesmo tempo que transforma os próprios universitários em agentes de disseminação do conhecimento.
Capacitados pelo NAF, estudantes dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Direito conduzem atividades educativas, incluindo uma dinâmica preparada pela Receita Federal, além de ações sobre consciência cidadã, a importância dos tributos, gestão do tempo e organização financeira.
A proposta é fazer com que o aprendizado acadêmico dialogue com situações concretas e possa ser compartilhado para além da universidade.
O impacto se amplia quando os universitários levam as atividades aos municípios onde vivem. Em algumas localidades, a dezenas de quilômetros de Guanambi, eles se organizam para realizar as ações em escolas de suas próprias comunidades. Assim, o conhecimento percorre novos territórios e chega a pessoas que, muitas vezes, estão distantes do ambiente universitário.
“Existem localidades muito distantes, a 60 ou 70 quilômetros de Guanambi. Quando há estudantes de uma mesma cidade ou de municípios vizinhos, eles se organizam, vão às escolas e aplicam as dinâmicas e os cursos”, relata Josi.
A transformação social também está no centro do UniMulher, projeto desenvolvido em parceria com a Secretaria de Cultura de Guanambi, cuja retomada está prevista para 2027. Reconhecida pela Receita Federal com uma premiação Rubi, a iniciativa é voltada a mulheres artesãs e empreendedoras e busca fortalecer seus negócios por meio da capacitação e do incentivo à geração de renda.
Com 110 mulheres cadastradas, o projeto tem como critério de participação que a mulher seja responsável pela guarda de uma criança, seja mãe, avó ou tia. A iniciativa considera que ampliar oportunidades para essas empreendedoras também exige olhar para a realidade familiar que faz parte de suas rotinas.
Por isso, enquanto as mulheres participam de treinamentos sobre empreendedorismo e gestão financeira, as crianças têm acesso a atividades educativas sobre autoestima, saúde bucal, imagem pessoal e saúde emocional, em uma linguagem adequada à idade delas.
“Enquanto as mulheres participam dos treinamentos, as crianças também recebem atividades na mesma proporção, mas em uma linguagem adequada à idade delas”, explica a professora.
Nos dois projetos, a educação ganha sentido para além da teoria: torna-se uma experiência compartilhada, que aproxima pessoas, fortalece a autonomia e estimula novas perspectivas. É justamente essa possibilidade de conectar conhecimento e realidade que dá significado à trajetória de Maria José.
Uma vocação que nasceu do compartilhamento
Embora hoje coordene iniciativas que mobilizam estudantes e comunidades, a aproximação de Josi com a educação começou antes de sua entrada na docência universitária. Durante sua atuação na assessoria a municípios, ela ministrava cursos para novos servidores públicos. Ao traduzir conhecimentos técnicos em orientações práticas, descobriu o quanto se realizava ao compartilhar saberes e contribuir para o desenvolvimento de outras pessoas.
O contato com estudantes de Administração e Ciências Contábeis despertou o desejo de levar essa experiência para a sala de aula. Depois de uma primeira atuação como docente em outra instituição, ingressou na UniFG Bahia, onde passou a unir a experiência profissional ao compromisso com a formação acadêmica.
Entre as diferentes possibilidades da carreira, a extensão universitária tornou-se uma de suas maiores motivações, justamente por aproximar a instituição da sociedade e permitir que os estudantes compreendam, na prática, como seus conhecimentos podem contribuir para enfrentar desafios reais.
A experiência no comércio, na contabilidade e na assessoria também ajudou a construir seu olhar como educadora. Aprender a ouvir, observar e compreender diferentes necessidades tornou-se parte de sua maneira de ensinar, relacionando conteúdos teóricos às situações vividas pelos estudantes.
Conciliar os papéis de professora, contadora e assessora exige dedicação, mas é na universidade que Josi encontra um sentido especial para essa trajetória. “Defino minha trajetória pela palavra transformação: ao mesmo tempo em que contribuo para transformar meus alunos e as comunidades com as quais trabalho, também sou profundamente transformada por eles”, afirma.
No Dia do Professor, a história de Maria José evidencia uma dimensão da educação que não se limita à formação profissional. Está no estudante que compartilha o que aprendeu, na mulher que encontra ferramentas para fortalecer seu negócio e na comunidade que passa a enxergar novas possibilidades por meio do conhecimento. É nesse movimento, que começa na universidade e segue adiante, que a professora encontra a essência de sua missão: formar pessoas e contribuir para transformar realidades.
Ao olhar para os anos de docência, ela reconhece que o aprendizado não acontece em uma única direção. Cada turma, projeto e encontro traz novos desafios e a oportunidade de rever perspectivas. “Embora me realize como contadora e assessora, é na sala de aula que encontro um sentido especial. Cada turma me ensina que ensinar também é estar disponível para aprender”, declara.



