Borborema apresenta na FIEB Projeto de produção de terras raras na Bahia

Projeto Monte Alto visa desenvolver na Bahia o desenvolvimento de uma das cadeias mais estratégicas do momento: a exploração de terras raras
O presidente da Borborema Recursos Estratégicos (BRE), Renato Gonzaga, apresentou, na tarde desta quinta-feira (27), durante reunião da Diretoria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), um panorama dos investimentos previstos pela companhia para a Bahia, nos próximos anos.
O Monte Alto é um projeto integrado de exploração de terras raras, envolvendo desde a mineração até o processamento e a transformação dos minerais. Com investimentos totais estimados em R$ 5 bilhões, o projeto deverá abranger inicialmente os municípios de Ubaíra, Jiquiriçá, que integram a Província Rocha da Rocha, no interior da Bahia.
“É um projeto com uma mineralização única no mundo e com potencial para colocar o Brasil como um ator extremamente relevante no cenário global das terras raras”, afirmou Gonzaga.
A segunda etapa prevê a implantação de um hub de produção em Camaçari. A estrutura está sendo planejada com o apoio do SENAI Cimatec, que participa do desenvolvimento de plantas-pilotos que irá no futuro produzir o concentrado, além dos processos de hidrometalurgia e separação dos óxidos de terras raras.
“O SENAI Cimatec é uma instituição extremamente qualificada e importante para o desenvolvimento tecnológico. Estamos muito felizes com essa parceria, que já tem rendido muitos frutos, inclusive para ampliar o entendimento sobre o recurso mineral que possuímos”, destacou.
O presidente Carlos Henrique Passos, colocou o Sistema FIEB à disposição da empresa e destacou que mais do que apoiar a empresa, trata-se de uma obrigação de todas as entidades proverem as condições necessárias ara que este projeto avance. “Todo o Sistema FIEB está aqui determinado a apoiar e contribuir na superação dos obstáculos”, pontuo Passos.
O presidente do Sindimiba, sindicato da indústria de mineração, Edvaldo Amaral, destacou a importância do setor de mineração para o estado com vários projetos estratégicos em andamento. “Vivemos um momento muito importante para a mineração baiana, principalmente diante da demanda mundial por terras raras. A descoberta desse depósito pela Borborema soma-se à grande diversidade mineral da Bahia, que possui reservas de lítio, vanádio, ouro e cobre. Precisamos aproveitar esse potencial para ampliar a produção, transformar os recursos minerais em produtos de maior valor agregado e promover o desenvolvimento do interior do estado”, destacou.
ESCOPO
Gonzaga apresentou dura nte a reunião de diretoria a primeira fase do empreendimento, o Escopo Rocha da Rocha, primeira fase de estudo que traça o panorama da província mineral de aproximadamente 160 quilômetros de extensão.
De acordo com o executivo, o desenvolvimento da cadeia de terras raras exige não apenas a identificação de novos depósitos, mas também o domínio das tecnologias necessárias ao processamento e à separação dos minerais.
“O que o mundo ocidental está tentando fazer, ao desenvolver uma cadeia alternativa, não passa apenas pela descoberta de novos depósitos, mas também pela disponibilidade de tecnologias de processamento. Essas tecnologias são dominadas por poucos países e empresas”, explicou, destacando a importância de se construir toda uma cadeia de exploração, incluindo a etapa de transformação.
A expectativa da companhia é iniciar a produção de concentrado de terras raras em 2031, desde que as etapas de engenharia e licenciamento ambiental ocorram dentro do cronograma previsto. “Até lá, teremos as fases de definição dos processos, elaboração dos projetos de engenharia e licenciamento ambiental, para que possamos colocar o empreendimento em operação”, disse Gonzaga. Nesta etapa, a empresa conta com o apoio da FIEB, por meio da Gerência de Desenvolvimento Sustentável, que vem assessorando a empresa no quesito ambiental.
MATERIAIS ESTRATÉGICOS
O depósito baiano reúne quatro elementos magnéticos considerados estratégicos para setores como os de veículos elétricos, aerogeradores, inteligência artificial, data centers e tecnologias relacionadas à transição energética: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
“Além de apresentar teores sem precedentes no mundo, o depósito possui esses quatro elementos magnéticos em sua composição. A Bahia reúne o recurso mineral, a infraestrutura necessária, um ambiente de negócios favorável e o povo baiano para ajudar a entregar esse projeto dentro do prazo”, concluiu Gonzaga.



