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Da Bahia para o mundo: modelos negras conquistam espaço nas passarelas internacionais

Imagem divulgação. Fonte: Agênvia Criativos. Por Elissa Melhem

Com trabalhos para grifes como Saint Laurent e Hermès e passarelas internacionais, como o Paris Fashion Week, modelos reveladas na Bahia ampliam a representatividade e desafiam padrões históricos de beleza.

Mulheres negras têm desafiado padrões históricos da indústria da moda e ampliado presença nas passarelas internacionais e nos editoriais de grandes grifes.

Na Bahia, trajetórias como as de Josefa Santos, Yasmin Cunha, Beatriz Santos, descobertas e apresentadas ao mundo pela empresária Mônica Mota, mostram como talentos locais podem alcançar o mercado global.

Natural de Ribeira do Pombal, Josefa Santos construiu uma sólida carreira internacional, desfilando para grifes como Saint Laurent, Hermès e Alexander McQueen. Beatriz Santos integrou o desfile da Burc Akyol na  Paris Fashion Week 2026 e Yasmin Cunha, de 18 anos, estreou na Balenciaga, na coleção assinada por Pierpaolo Piccioli. 

Imagem divulgação. Fonte: Agênvia Criativos. Por Elissa Melhem

As três fazem parte das histórias de talentos que ajudam a projetar a Bahia no cenário fashion internacional e a ampliar as referências de beleza e representatividade negra na indústria. Por trás dessas trajetórias, está o trabalho de formação e preparação profissional realizado em Salvador.

À frente da Model Club Agency há mais de 30 anos, a empresária Mônica Mota atua na descoberta e no desenvolvimento de modelos, conectando jovens baianas a oportunidades nacionais e internacionais. 

A atuação da agência parte do scouting e inclui preparação para passarelas, fotogenia, interpretação, inglês e inteligência emocional, por meio de iniciativas como o College Model Club.

A história de Mônica com a moda, no entanto, começou com um sonho que ela própria não conseguiu realizar. Nascida em Salvador e criada em uma família de origem humilde, a empresária desejava ser modelo na adolescência, mas encontrou barreiras no mercado tradicional por não atender ao padrão de altura exigido na época. 

A experiência não a afastou do universo artístico. Depois de se dedicar à dança profissional na Fundação Cultural do Estado da Bahia, onde teve aulas com o professor Zebrinha, ela decidiu construir caminhos para que outros talentos pudessem ter oportunidades que lhe foram negadas.

Mônica Mota. Imagem divulgação. Fonte: Agênvia Criativos. Por Elissa Melhem

Em setembro de 1992, Mônica fundou a Model Club Agency ao lado do marido e sócio, Acácio Santos, em uma pequena sala na Avenida Sete de Setembro, em Salvador. “O mercado via a moda apenas como estética e lucro, sem olhar humano, então decidi criar o mercado onde diziam que ele não existia, provando que grandes talentos nascidos na Bahia poderiam sim ter projeção internacional com o preparo adequado”, destaca Mônica Mota. 

Mais de três décadas depois, a empresa atua na preparação e no gerenciamento de carreiras de modelos, incluindo a conexão com agências e profissionais do mercado internacional. A agência também passou a integrar o diretório do Models.com, plataforma de referência para profissionais e empresas da indústria da moda.

Neste Novembro Negro, as histórias dessas modelos ajudam a discutir os avanços da representatividade racial em um setor historicamente associado a padrões restritos de beleza. Embora a presença de mulheres negras tenha ganhado visibilidade em passarelas e campanhas internacionais, o acesso às oportunidades, à formação profissional e às redes de relacionamento do mercado ainda é um desafio para muitos talentos que estão fora dos principais centros da indústria.

Segundo Mônica, o trabalho vai além de descobrir rostos novos: envolve preparar jovens para lidar com as exigências profissionais e pessoais de uma carreira competitiva. Ao acompanhar modelos desde os primeiros passos até oportunidades no exterior, a empresária também participa da construção de novas referências para meninas negras que desejam ingressar no setor. A iniciativa coloca em evidência o papel da formação e do acesso ao mercado na transformação de trajetórias individuais e na ampliação da diversidade na moda.

“O Novembro Negro é um momento importante para refletirmos sobre os espaços que as pessoas negras conquistaram, e também sobre aqueles que ainda precisam ser ocupados. Na moda, não basta colocar uma mulher negra em uma campanha ou em uma passarela; é preciso garantir que ela tenha oportunidades reais de desenvolver sua carreira, acessar os grandes mercados e permanecer neles. Representatividade também significa abrir portas, oferecer preparação e reconhecer o talento para além da aparência. Quando uma modelo negra chega às passarelas internacionais, ela não representa apenas a própria trajetória, ela também mostra a tantas outras meninas negras que esse lugar pode ser delas. É por isso que acredito tanto na formação e no trabalho de base: talento existe em toda parte, e as oportunidades precisam chegar até ele”, conclui Mônica Mota.