Haaland é neutralizado pela Inglaterra, mas sorri na despedida: “A Copa me mudou”

Fonte FIFA

A defesa da Inglaterra conseguiu evitar os gols do centroavante, que se despede com orgulho e o desejo de buscar mais pela Noruega.

Para avançar à semifinal da Copa do Mundo da FIFA™, a Inglaterra conseguiu realizar algo neste sábado, em Miami, aquilo que nenhuma defesa havia chegado nem perto de fazer: neutralizar Erling Haaland. Na vitória por 2 a 1, na prorrogação, o artilheiro foi Jude Bellingham, que anotou os dois gols da virada.

O centroavante que aterrorizou quatro rivais consecutivos — anotando sete gols nessas quatro partidas contr Iraque, Senegal, Costa do Marfim e, claro Brasil –, passou em branco pela primeira vez no torneio, e o efeito foi imediato. Assim caiu a Noruega.

O ídolo norueguês saiu esgotado do jogo antes de ele terminar, na virada do primeiro para o segundo tempo na prorrogação. Para muitos jogadores, numa situação dessas, depoi de uma dolorosa eliminação em momento tão agudo dessa competição, poderia ser a hora de se recolher em silêncio.

Haaland, não. Tomou o microfone e se despediu de sua primeira Copa sorrindo. Ele queria ir adiante? Claro. Mas, em sua fala, procurou lembrar tudo o que ele e seus companheiros conquistaram nas últimas semanas.

“São coisas surreais; acho que isso me mudou como pessoa”, afirmou. “Acho que fiquei um pouco mais conhecido, digamos assim, e… É difícil até raciocinar agora quando penso nos jogos, mas é algo muito especial participar de algo assim — algo que eu via de fora e agora estou vivenciando pessoalmente.”

“Sinto um orgulho imenso e fico muito tocado ao pensar em como nos saímos bem, na união das pessoas na Noruega, na positividade e na alegria que sentimos tanto lá quanto aqui.”

Lidar com um centroavante como Haaland nunca é, ou deveria ser, tarefa para um só homem. Não só por conta de seu poderio físico, mas principalmente por suas características, de ser uma figura letal e resolver muitas partidas quando mal encosta na bola. Requer atenção de todos lá atrás.

É preciso antecipar seus movimentos e controlar os espaços ele costuma ser letal. E foi isso que a seleção inglesa conseguiu executar. E, no eixo desse esforço coletivo, o mais interessante é destacar a presença de Marc Guéhi e John Stones. Os companheiros de Haaland no Manchester City transformaram familiaridade em vantagem competitiva.

Fonte: FIFA

Contra a Inglaterra, quando foi substituído entre o primeiro e o segundo tempo da prorrogação, Haaland saiu exausto de campo, com os seguintes números: duas finalizações a gol, noves passes tentados, sendo sete completos. Ele percorreu 8,9 quilômetros.

Agora vamos comparar com suas estatísticas na vitória histórica sobre o Brasil nas oitavas: quatro finalizações, 11 passes (todos eles completos) e 10,1 quilômetros deslocamentos.

Parecem muito similares, certo? Mas permitir duas chances a mais para Haaland podem muito bem ter sido a diferença para o Brasil sair. Nas quartas de final, o gigante norueguês só conseguiu acertar dois cabeceios. Um deles defendido por Jordan Pickford e para fora.

Além disso, nota-se que o norueguês teve muito mais liberdade de movimentação pelo campo, mesmo jogando 15 minutos a menos e sem que seu time tivesse jogado no contra-ataque, tal como aconteceu durante quase todo o primeiro tempo em Miami. Para Stones e Guéhi, então, missão cumprida.

Isso significa que agora Haaland vai ficar na torcida por esses dois zagueiros e a Inglaterra? Ele voltou a sorrir, mas disse que não é bem assim. “Tenho meus companheiros de City aqui, é verdade. Cresci na Inglaterra, e a primeira camisa que ganhei foi da Inglaterra. É um país especial. Mas também tenho companheiros da França e da Espanha”, lembrou.

Em meio a amenidades e ao otimismo, Haaland passou a olhar adiante. Falando como quem sentiu o gosto do que é brilhar numa Copa do Mundo e quer mais.

“Esse tem sido meu objetivo há muito tempo e acho que, após este torneio, conseguimos colocar a Noruega no mapa, por assim dizer. Agora é manter isso. Estou muito orgulhoso”, afirmou.

“Mostramos que é possível bater uma das maiores seleções do mundo, o Brasil. Agora perdemos para a Inglaterra, mas vendemos caro. Talvez pudesse ter sido diferente. Temos mais Copas do Mundo e Euros pela frente, acho que é um momento para nos firmarmos. Nossa geração é fantástica.”