No Dia dos Avós (26), especialista destaca como a educação pode ser aliada na qualidade de vida dos idosos

Fonte: Andrea Person Unifg

O retorno à sala de aula estimula a memória, o raciocínio e a criatividade, além de fortalecer a autoestima e proporcionar novas relações sociais.

Ser avô ou avó já não significa desacelerar ou deixar projetos para trás. Pelo contrário: cada vez mais brasileiros com 60 anos ou mais têm demonstrado que a longevidade pode ser acompanhada de novos planos, descobertas e realizações.

No Dia dos Avós, celebrado no próximo domingo (26), histórias de pessoas que decidiram voltar ou ingressar pela primeira vez na universidade mostram que a busca pelo conhecimento não tem idade.

Mais do que conquistar um diploma, o retorno aos estudos representa a oportunidade de ampliar horizontes, além de manter a mente ativa e expandir o convívio social.

“Sempre acreditei que nunca é tarde para realizar um sonho.

Depois de muitos anos dedicados ao trabalho e à família, percebi que era tempo de investir em mim e seguir um propósito que sempre esteve presente: essa vontade de aprender, compreender melhor o ser humano e contribuir para o cuidado das pessoas”, afirma Ysnarkaio Santos, de 61 anos.

Avó de quatro netas e graduada em Assistência Social, Ysnarkaio hoje é estudante do curso de Psicologia da UniFG Bahia, integrante do maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima. Segundo ela, voltar para a universidade foi um grande desafio, mas também uma forma de mostrar que a idade não limita os sonhos.

“Entrar na universidade depois dos 50 me ensinou que coragem não é não sentir medo; coragem é seguir em frente. O maior desafio é conciliar todas as responsabilidades. Além da rotina acadêmica, tenho os compromissos familiares e, atualmente, acompanho de perto o tratamento de saúde do meu marido, que exige bastante dedicação”, completou.

Apesar dos momentos de cansaço e insegurança, Ysnarkaio conta que cada etapa vencida fortalece sua confiança e mostra que todo esforço vale a pena. “Além disso, conto com a colaboração e a compreensão do corpo docente da UniFG e da minha família. Assim, consigo me adaptar, superar os obstáculos e seguir até concluir essa formação tão sonhada”, comenta.

De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da UniFG, Jussara Coelho, mais do que obter um diploma, voltar à sala de aula representa um investimento na qualidade de vida. “O aprendizado contínuo estimula a memória, o raciocínio e a criatividade, além de fortalecer a autoestima e proporcionar novas relações sociais, fatores reconhecidos como importantes para um envelhecimento saudável”, destaca.

Um ambiente acadêmico mais rico e inclusivo
A docente Jussara Coelho ressalta ainda que a presença de estudantes mais experientes também enriquece o ambiente acadêmico. “A troca entre diferentes gerações amplia perspectivas, fortalece o respeito à diversidade de experiências e contribui para uma formação mais humanizada de todos os alunos”, afirma.

Segundo Ysnarkaio Santos, conviver com colegas mais jovens tem sido uma experiência muito proveitosa. “No início, pensei que poderia haver uma distância maior entre nós, mas encontrei acolhimento, respeito e oportunidades de troca de saberes. Eles me ajudam com as tecnologias e com novas formas de aprender. Em contrapartida, acredito que contribuo compartilhando experiências de vida, responsabilidade, equilíbrio e um olhar mais paciente diante das situações. A convivência mostra que diferentes gerações não competem; elas se complementam.”

Outro aspecto importante é o combate ao preconceito relacionado ao envelhecimento. “Ao ocupar espaços acadêmicos, os estudantes da terceira idade ajudam a desconstruir a ideia de que aprender é uma atividade exclusiva dos jovens. A experiência acumulada ao longo da vida torna-se um diferencial nas discussões em sala de aula e demonstra que o desenvolvimento humano acontece em todas as fases da vida”, afirma a docente Jussara Coelho.

Além da realização pessoal, a graduação pode abrir novas possibilidades profissionais. Muitos idosos optam por cursos ligados à saúde, à gestão, à tecnologia, à educação, à psicologia e ao empreendedorismo, seja para continuar atuando no mercado, abrir um negócio próprio, prestar consultorias ou desenvolver atividades voluntárias que gerem impacto social.

“Escolhi essa profissão porque sempre me interessei por compreender as emoções, os comportamentos e as relações humanas. Ao longo da vida, percebi o quanto a escuta acolhedora pode transformar realidades. Essa escuta qualificada foi ainda mais fortalecida durante os estágios. Se minha trajetória puder inspirar e incentivar outras mulheres a dar o primeiro passo em direção ao seu sonho, já terei alcançado um dos maiores resultados dessa caminhada”, concluiu a estudante de Psicologia.