Risco de transtorno do jogo aumenta durante Copa do Mundo

Divulgação Unifacs (Magnific). Fonte: Andreda Castro – Fonte Comunicação

Especialista explica os mecanismos envolvidos nas apostas esportivas e alerta para grupos de maior vulnerabilidade
 

Com a proximidade da Copa do Mundo, que se inicia em 11 de junho, cresce a movimentação nas plataformas de apostas esportivas.

Paralelamente, especialistas em saúde mental alertam para o aumento do risco de desenvolvimento do Transtorno do Jogo (CID-11: 6C50), condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno relacionado a comportamentos aditivos – padrões repetitivos e compulsivos de ação ou consumo que proporcionam prazer ou alívio temporário, mas que podem causar danos físicos, psicológicos e sociais.

Embora a maioria das pessoas aposte ocasionalmente sem desenvolver um transtorno, grandes eventos esportivos elevam significativamente a exposição a estímulos relacionados ao jogo.

A intensa cobertura midiática, o marketing agressivo das empresas e o engajamento emocional dos torcedores favorecem um ambiente propício para o crescimento das apostas.

“A dependência não surge apenas pela possibilidade de ganho financeiro.

O que mantém muitas pessoas apostando é um mecanismo neurobiológico semelhante ao observado em outras adições.

O cérebro passa a responder à expectativa da recompensa, especialmente quando ela ocorre de forma imprevisível”, explica o psiquiatra Ivan Araújo, professor de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS).

Segundo o especialista, as plataformas utilizam estratégias baseadas em princípios amplamente estudados da psicologia comportamental, como reforço intermitente, recompensas variáveis, notificações constantes e bônus promocionais. Esses mecanismos aumentam o engajamento e dificultam o controle do comportamento.

“O sistema de recompensa cerebral é particularmente sensível a recompensas imprevisíveis.

Pequenos ganhos ocasionais podem reforçar a continuidade das apostas mesmo diante de perdas financeiras repetidas”, destaca.

Estudos demonstram que indivíduos com histórico de impulsividade, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos por uso de substâncias, transtornos do humor e ansiedade apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento do transtorno do jogo.

Mas não são os únicos, como ressalta o psiquiatra: “A principal armadilha é acreditar que conhecimento esportivo reduz o risco.

Mesmo especialistas em esportes permanecem sujeitos aos mesmos vieses cognitivos e às mesmas probabilidades matemáticas que qualquer outra pessoa”.

Sinais de alerta

Os principais sinais incluem aumento progressivo dos valores apostados, preocupação excessiva com apostas, tentativas malsucedidas de reduzir ou interromper o comportamento, irritabilidade quando impedido de jogar, perseguição de perdas (“apostar para recuperar prejuízos”), comprometimento financeiro e prejuízos familiares, acadêmicos ou profissionais.

“O problema costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes o indivíduo procura ajuda apenas quando já existem dívidas importantes, conflitos familiares ou sofrimento emocional significativo”, alerta Araújo.

Prevenção e cautela

Especialistas recomendam que as apostas sejam encaradas exclusivamente como entretenimento, nunca como fonte de renda ou estratégia de investimento.

O estabelecimento prévio de limites financeiros e de tempo, a não utilização de crédito ou empréstimos para apostar e a interrupção imediata da atividade diante de sinais de perda de controle são medidas fundamentais para reduzir os riscos associados ao comportamento de jogo.

Familiares e amigos também desempenham papel importante na identificação precoce de mudanças comportamentais, especialmente em adolescentes e jovens adultos, grupo que apresenta elevada exposição às campanhas publicitárias do setor.

Em casos de suspeita de Transtorno do Jogo, a busca por atendimento especializado deve ocorrer precocemente.

O tratamento pode envolver psicoterapia baseada em evidências, especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental, além de acompanhamento psiquiátrico para manejo de comorbidades frequentemente associadas, como ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao controle dos impulsos.

“O diagnóstico precoce e a intervenção adequada aumentam significativamente as chances de recuperação e reduzem o impacto financeiro, familiar e emocional causado pelo transtorno”, finaliza Ivan Araújo.

Sobre a UNIFACS

Há 54 anos transformando vidas por meio da educação, a Universidade Salvador (UNIFACS) é parte do Ecossistema Ânima, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do país. Presente em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, a UNIFACS oferece mais de 100 cursos de graduação e pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, aliando tradição, inovação e compromisso social. Reconhecida como a melhor universidade privada da Bahia e uma das 10 melhores do Brasil (IGC/MEC 2021), a instituição se destaca pelo investimento contínuo em infraestrutura, tecnologia educacional e conexão com as demandas do mercado, além de possuir um corpo docente de excelência com profissionais renomados. Com mais de 15 anos em Feira de Santana, consolida sua liderança também no interior do estado. Com uma trajetória sólida e de impacto, a UNIFACS segue olhando para o futuro com a certeza de que pode fazer ainda mais pela Bahia e com a Bahia.

Saiba mais em: www.unifacs.br

Sobre a Inspirali

Criada em 2019, a Inspirali atua na gestão de escolas médicas do Ecossistema Ânima e é uma das principais empresas de ensino superior de Medicina no Brasil, com mais de 13 mil alunos e 15 instituições localizadas em São Paulo, Piracicaba, São José dos Campos e Cubatão (SP), Belo Horizonte e Vespasiano (MG), Salvador, Irecê, Jacobina, Guanambi e Brumado (BA), Florianópolis e Tubarão (SC), Natal (RN) e Tucuruí (PA). As graduações em Medicina seguem modelo acadêmico reconhecido entre os mais inovadores do mundo e pensado para formar profissionais de alta performance com uma visão integral do ser humano. Os alunos são incentivados a participarem de ações humanitárias para vivenciarem uma experiência fora de sala de aula e realizam atendimentos, desde as primeiras fases, às comunidades nos 14 Centros Integrados de Saúde (CIS) e diversos hospitais e outras unidade de saúde, em parceria com o SUS.