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Unidade Móvel da Defensoria ajuda famílias a oficializar vínculos afetivos em Ubatã e Nova Ibiá

Equipe da Defensoria presente nas cidades da Nova Ibiá e Ubatã; Unidade Móvel deve superar em 2026 números de atendimentos de 2025 na próxima itinerância da UMA. Fonte: Assessoria de Imprensa Defensoria Publica da Bahia. Por Lucas Cunha

Itinerância de 20 a 22 de outubro somou 140 atendimentos, chegando à marca de 10.569 atendimentos da UMA em 2026, muito perto de superar o total atingido em 2025

“O amor vence”: Mariana Santos (à esq.) quer ser incluída como mãe da filha de sua companheira, Luana Pereira

A ausência do nome paterno na certidão, por motivos diferentes, aparece também nas outras histórias atendidas pela UMA na região. Em um dos casos, a procura foi pelo reconhecimento de maternidade socioafetiva, em uma criança que não tem o nome do pai no registro.  

Luana Pereira, 21 anos, e Mariana da Silva Santos, 19, estão casadas há um ano e criam juntas o filho de Luana, de um ano e seis meses, Mariana quer que a relação de cuidado com o filho de sua companheira seja oficializada também nos documentos. “É o amor, né? A gente cria um vínculo muito forte com uma criança. Ele é muito apegado a mim, e o amor vence”, diz. Luana apoia a decisão: “Ela gosta demais dele, às vezes ele é mais apegado a ela do que a mim.”

As duas moram em Tapirama, distrito de Gongogi, cidade também localizada na Região do Médio Rio de Contas. Elas souberam do atendimento da Defensoria pelo Instagram. Foi a primeira vez que buscaram auxílio para o caso delas, o que, segundo o casal, é difícil de encontrar na região. 

Após o atendimento, a defensora pública e coordenadora da 12ª Regional (Jequié), Itanna Pelegrini, encaminhou um ofício ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Gongogi, solicitando análise e orientação sobre o procedimento administrativo de reconhecimento da maternidade socioafetiva.  

O documento registra que Mariana convive com a mãe biológica e mantém com a criança vínculo contínuo de convivência, cuidados, carinho e dedicação, participando de sua criação e desenvolvimento. A Defensoria entregou a mãe a lista de documentos necessários para comprovar o vínculo e a orientou a apresentá-los ao cartório. O ofício pede ainda que o cartório indique a possibilidade, os requisitos e as providências cabíveis, observadas as normas aplicáveis à idade da criança. 

DNA post mortem

A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) levou, entre os dias 20 e 22 de outubro, a Unidade Móvel de Atendimento (UMA) aos municípios de Nova Ibiá e Ubatã, no Médio Rio de Contas, ampliando o acesso à Justiça em cidades que não contam com sede fixa da instituição. 

Em três dias, foram realizados 140 atendimentos gratuitos, com orientação jurídica, exames de DNA para investigação e reconhecimento de paternidade e encaminhamentos em diversas áreas, como pensão alimentícia, guarda, retificação de registros civis, saúde e defesa do consumidor. Entre as demandas, algumas giraram em torno de um mesmo direito: ter o nome do pai ou da mãe nos documentos. 

Em busca de um sonho: Milena de Jesus (à esq.) procurou a Defensoria em Ubatã para fazer exame de DNA e ter o nome do pai, Carlos Alberto Bispo, em seu registro

Para a moradora de Ubatã Milena de Jesus dos Santos, 33 anos, ter o nome do pai na identidade era um sonho antigo. Quando nasceu, ela foi registrada como filha de outro homem, casado com sua mãe na época. O pai biológico, Carlos Alberto Bispo dos Santos, 60 anos, só a conheceu depois, quando voltou de São Paulo para Ubatã. Desde então, nunca perderam o contato. Hoje moram juntos e até estudam na mesma sala da Educação de Jovens e Adultos (EJA), à noite. 

Pai e filha foram à UMA, que esteve em Ubatã nos dias 21 e 22 de outubro, para fazer o exame gratuito de DNA. Carlos soube da ação pela rádio da cidade. “Falaram que teria exame de DNA e eu quis pra aproveitar, porque é um serviço caro e difícil de ter por aqui”, diz. 

A mãe de Milena e o homem que a registrou morreram. Hoje, qualquer providência oficial em nome dela depende da avó materna e o pai não tem nenhum documento que comprove a relação paterna com a filha. “O vínculo já era forte, com o nome na identidade vai ficar melhor ainda”, afirma Carlos. 

Maternidade socioafetiva  

Na passagem pelas duas cidades, foram registrados 55 atendimentos em Nova Ibiá e 85 em Ubatã. Com isso, o total computado pela Unidade Móvel de Atendimento da DPE/BA em 2026 chegou a 10.569, a poucos atendimentos de superar o montante de 2025, que fechou em 10.586. Para a coordenadora da UMA, Camila Berenguer, o resultado reflete o trabalho da equipe.  

Idayane Souza (ao centro, de vermelho) aproveitou passagem da DPE/BA em Nova Ibiá para fazer exame de DNA de paternidade post mortem para reconhecimento do nome do pai de um dos filhos, além de atualização de registro de todos seus oito filhos

Em Nova Ibiá, onde a UMA esteve no dia 20, umas das atendidas na cidade foi Idayane da Silva Souza, 31 anos, mãe de oito filhos criados por ela sozinha. O pai de um deles morreu dois meses antes do nascimento da criança, e Idayane nunca conseguiu fazer o exame de paternidade.  

Com a oportunidade, ela procurou a Defensoria para garantir o direito do filho a ter o nome do pai no registro. Como o pai já morreu, o DNA será feito a partir do filho mais velho dele, para verificar se os dois são irmãos paternos. Idayane aproveitou o atendimento para pedir também a segunda via das certidões de nascimento das oito crianças, que estavam em condições precárias. 

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Idayane chegou a viver em São Paulo, onde teve que pedir comida, e há quatro anos mora em Nova Ibiá, após o convite de uma irmã que mora na cidade. Sobre o atendimento, não escondeu a emoção: “Me senti acolhida como há muito tempo não me sentia”. 

Número de atendimentos da UMA em 2026

“Estou muito impressionada e muito feliz com o que a gente realizou no ano passado e neste ano. Vamos bater o recorde de 2025, e eu fico muito alegre com esses dados, com essa equipe de servidores sempre engajada e comprometida, e com o trabalho dos defensores e defensoras, que se renovam em cada itinerância”, afirmou.  

Esta foi a penúltima itinerância do ano da Unidade Móvel de Atendimento, que encerra oficialmente as atividades em 2026 com a passagem no início de novembro pelas cidades de Seabra (03), no Capão (04) e em Palmeiras (05), fechando a semana com uma atuação durante a Feira Literária de Cachoeira, no dia 07. 

Participaram da ação em Nova Ibiá e Ubatã, além da coordenadora da UMA, Camila Berenguer e da coordenadora da 12ª Regional (Jequié), Itanna Pelegrini, a defensora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), Viviane Luchini; o defensor com atuação em Jequié, Josué Souza; e servidores da Defensoria de Salvador e de Jequié.