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Câmara promove audiência pública sobre adaptação climática e soluções baseadas na natureza

Fonte: Ascom Câmara. Por Andréa Póvoas e Amanda Motta

Vitória da Conquista está entre as dez cidades baianas selecionadas para integrar projetos de resiliência climática, devido à vulnerabilidade aos eventos extremos.

Encontro reuniu representantes do poder público, especialistas e sociedade civil para discutir estratégias de resiliência climática em Vitória da Conquista

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista realizou, na noite desta quarta-feira (23), a audiência pública “Adapta Conquista: Soluções Baseadas na Natureza e Resiliência Climática”. Proposto pelo mandato da vereadora Delegada Gabriela Garrido (PV), o encontro reuniu representantes do poder público, especialistas, professores, entidades e sociedade civil para discutir caminhos de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

Durante a abertura, Gabriela Garrido destacou que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte da realidade da população e defendeu medidas como proteção de nascentes, recuperação de matas ciliares, arborização urbana e preservação de áreas verdes.

“Nós falamos de mudanças climáticas, não estamos falando apenas do futuro, estamos falando do que já estamos vivendo. Calor extremo, períodos prolongados de seca, incêndios, chuvas intensas, impactos diretos na saúde, na produção de alimentos e na nossa qualidade de vida”, afirmou.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Diego Gomes, informou que Vitória da Conquista está entre as dez cidades baianas selecionadas para integrar projetos de resiliência climática, devido à vulnerabilidade aos eventos extremos.

“Nosso município é uma das dez cidades baianas selecionadas para integrar projetos de resiliência climática, devido à vulnerabilidade aos eventos extremos que já temos enfrentado”, afirmou.

Segundo Diego, a Prefeitura também trabalha na revisão do plano de manejo do Parque Municipal do Rio Verruga e pretende discutir a atualização do plano da Serra do Periperi. A gestão prepara ainda um decreto de enfrentamento à estiagem, com ações para as áreas urbana e rural.

Natureza no planejamento urbano

O representante do Arboriza Conquista, Alex Meira Alves, defendeu que elementos naturais sejam incorporados ao planejamento urbano do município.

“Não é apenas deixar a cidade mais verde, é fazer de Vitória da Conquista uma cidade mais biofílica. É uma cidade que aproxima as pessoas da natureza e incorpora rios, árvores, solos e áreas verdes ao planejamento urbano”, afirmou.

O arquiteto Gerardo Bressan destacou a necessidade de integrar planejamento urbano, meio ambiente e saneamento.

“Se quisermos planejar adequadamente, não podemos nos restringir à ‘agenda verde’; precisamos, sobretudo, priorizar a ‘agenda azul’”, afirmou.

A professora Daise Cardoso chamou atenção para a preservação das nascentes e das margens do Rio Verruga e defendeu a execução das políticas ambientais já existentes.

“Conquista já tem selo, Conquista já tem plano. O que falta agora é a gente executar com técnica, orçamento e meta”, declarou.

Participação da comunidade

A participação da sociedade civil também esteve entre os pontos destacados na audiência. O representante do Instituto Periperi, Éric Matheus Santos Amaral, defendeu a união entre poder público e comunidade para a recuperação e valorização do parque.

“O Instituto veio com esse propósito de unir forças com o poder público e mostrar que tem algo a fazer. A comunidade também está disposta a fazer parte desse trabalho”, afirmou.

Já o Mestre Conselheiro Regional Caio dos Santos Guimarães apresentou uma proposta de arborização de áreas periféricas, destacando o envolvimento dos jovens nas ações ambientais.

“Dentro desse projeto, nós pensamos, em conjunto, em realizar um projeto de arborização nas periferias da cidade. E a gente pensa isso porque vê, no dia a dia, que as variações climáticas que existem na nossa cidade estão se tornando cada vez maiores”, afirmou.

Política permanente e segurança alimentar

O professor doutor Gilson Santiago Macedo Júnior defendeu a construção de uma política municipal permanente de adaptação climática e a discussão de um Plano Municipal de Adaptação pelo Legislativo.

“O que está se propondo a conversar aqui não é uma cidade hipotética. Nós estamos falando da cidade de Vitória da Conquista da forma como nós conhecemos e de famílias que têm nome e endereço”, afirmou.

A professora doutora Patrícia Baier abordou a recuperação dos solos por meio da agroecologia e dos sistemas agroflorestais, relacionando o tema à segurança alimentar.

“Esse solo vivo e esse solo fértil é a base da nossa segurança alimentar, da nossa saúde”, afirmou.

Ao reunir diferentes setores da sociedade, a audiência reforçou o papel da Câmara Municipal como espaço de diálogo e participação social na discussão de políticas públicas voltadas à adaptação climática e à construção de uma cidade mais preparada para os desafios ambientais.